quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cuba - Mais uma vitória

Liberação dos presos: uma vitória silenciosa da Revolução.


Mais uma vez a Revolução Cubana oferece um exemplo de dignidade e firmeza.


Enrique Ubieta Gomez.


Na quarta-feira, 7 de julho, o arcebispo de Havana tornou pública a decisão do governo cubano de liberar nos próximos meses 52 contra-revolucionários detidos e julgados em 2003, cinco deles imediatamente. Isso se deu como resultado de reuniões realizadas pelo governo com o cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana; e com o monsenhor Dionísio Garcia Ibañez, presidente da Conferência dos Bispos Católicos de Cuba. Um dos contra já havia sido liberado por motivos de saúde.


O sistema prisional de Cuba apenas costuma conceder anistia ao preso que, independentemente de seu delito, apresente problemas de saúde que não possam ser tratados na prisão. Desde 2004, já foram beneficiados com essa política 21 contra-revolucionários, sendo que quatro deles viajaram com suas famílias para a Espanha, como parte de um acordo com o governo espanhol.


O governo de Cuba está sempre aberto ao diálogo e a negociação – sem pressão, sem chantagens e sem condições prévias – sobre qualquer tema e com qualquer interlocutor que respeite a soberania cubana. O maior obstáculo para a liberação desses presos – julgados e condenados pelos tribunais cubanos segundo as leis do país – era, principalmente, a clara intenção de chantagem de uma campanha midiática, insuflada pelas grandes corporações de meios de comunicação, pela direita européia e estadunidense, estava (e está) promovendo de forma irresponsável. A Revolução, em troca, propõe um diálogo respeitoso.


É necessário recordar uma série de exemplos históricos: a troca de mercenários capturados durante a invasão da Praia Giron; o diálogo, em 1978, para que houvesse a liberação de centenas de simpatizantes do ditador Batista e de contra-revolucionários, muitos deles capturados em atividades terroristas; os acordos migratórios com os governos estadunidenses – tanto com Reagan ou W. Bush (republicanos) como com Clinton ou Obama (democratas); o processo de diálogo permanente com as mais diversas manifestações religiosas, inclusive a católica, dentre outros. A série inclui mediações internacionais como a que levou a paz definitivamente a Angola e ao Cone Sul africano.


Não há fraqueza na disposição ao diálogo, mas sim fortalecimento. As recentes conversas do governo com a cúpula da igreja católica cubana estão respaldadas pela existência de uma comunicação franca e coerente com as instituições e organizações religiosas do país. Os que têm uma fé religiosa ou não – de qualquer denominação – participam igualmente da construção de uma sociedade cada vez mais justa. Todavia, estas conversas transcorreram por iniciativas das partes e demandaram uma decisão que o assédio internacional havia proposto pelos meios de comunicação transnacionais e seus lacaios internos, inicialmente confusos, agora tentam capitalizar os resultados. Isso era previsível e não nos incomoda.


Pela vida de Guillermo Fariñas, como por qualquer outra de seus compatriotas, Cuba colocou a sua disposição os equipamentos médicos que possui – e os que não possui também, pois procurou aonde pode, apesar do bloqueio – e os melhores especialistas do país. Porém, Fariñas, com suas atitudes, nunca permitiu que os resultados benéficos fossem atingidos. É triste um homem jogar sua vida fora sem saber que outros estão manipulando seus sentimentos, planejam levar vantagem de seu sacrifício, utilizam sua obstinação para fins espúrios. É triste que – com tantas causas justas para se lutar neste mundo essencialmente injusto – um homem arrisque sua vida pelo bem-estar pessoal de uma corja de crápulas e de um país imperialista. É triste que um homem aposte na morte contra um país que luta contracorrente pela vida.


Obama seria capaz de abrir um diálogo franco, sem os costumeiros hábitos imperialistas, com seu pequeno mas digno vizinho? Ele teria coragem de reconhecer o caráter político e vingativo das acusações que pesam sobre os Cinco antiterroristas cubanos, presos há mais de dez anos em cárceres dos EUA? Obama poderia, num ato simples que dignificaria seu mandato, indultar essas cinco pessoas que fizeram em território estadunidense, a favor de seus cidadãos, o que fizeram as autoridades dos EUA? Mais uma vez a Revolução Cubana oferece um exemplo de dignidade e firmeza.


Fonte: A Ilha Desconhecida

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