sábado, 1 de janeiro de 2011

Sim, 2011 será o ano dos “CINCO”

SIM, 2011 SERÁ O ANO DOS “CINCO”.

“Os Cinco são a expressão dos valores do povo cubano e da persistência do seu projeto revolucionário”



Por Vânia M. Barbosa

A crescente campanha internacional pela libertação de Fernando González, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Gerardo Hernández e René González – submetidos a uma farsa judicial e condenados a elevadas e suspeitas penas de prisão, em condições desumanas - desvenda a insanidade do governo estadunidense e mostra que é possível dar um ponto final a soberba.

Enquanto a liberdade dos “Cinco” entra com força no imaginário de milhões de pessoas e estão na pauta de governos e instituições solidárias com Cuba, Barack Obama finge que nada vê e acredita que poderá sustentar uma farsa política sem que alguém se importe.

O imperialismo não pára com suas ações terroristas contra Cuba, pois precisa vender a ideia que existe fragilidade interna na Ilha e a possibilidade de um colapso do seu regime político.

Obama mente para si e para o mundo e perdeu uma excelente oportunidade de mostrar que em seu governo haveria mudanças: prometeu terminar com as prisões Guantânamo e devolver seu território à Ilha. E isso não aconteceu. Assim como não avançaram todas as possibilidades de aproximação com Cuba e de libertação dos “Cinco”. E qual é o impedimento? Ele não quer aceitar a realidade de que a Nação Cubana cada vez mais sobrevive e se mantém como referência de dignidade para os povos, principalmente os da América Latina.

Na avaliação do historiador e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Enrique Serra Padrós, a comunidade cubana em Miami tem peso eleitoral junto aos partidos Democrático e Republicano dos Estados Unidos, que “são sensíveis em momentos eleitorais”.

Neste sentido Padrós acredita que, apesar da pressão internacional pela libertação dos “Cinco” é preciso envolver massivamente a opinião pública estadunidense, pois os dirigentes daquele País só se movem politicamente quando a pressão interna termina de alguma forma fazendo com que se posicionem.

Segundo Padrós “parece que é uma questão de princípios dos Estados Unidos varrer com a história de Cuba, com o belo exemplo que a cada dia essa Nação constrói e reconstrói”.  Mas para o império - ironiza – “esse é o crime que Cuba comete e por isso seu povo está sendo castigado”.

O professor ressalta que há 21 anos caiu o Muro de Berlim e a quase 20 deixou de existir a União Soviética e terminou a Guerra Fria. No entanto Cuba continua existindo e seu povo permanece acreditando em muitas coisas que acreditava então.

Padrós recorda que desde a década de 60 já afirmavam que a política externa dos Estados Unidos é uma política de terrorismo de estado. E reconhece que existe uma contradição entre o discurso político e a prática imperialista, pois enquanto se utiliza de conceitos de democracia, os direitos humanos são pouco cumpridos e, principalmente em sua política externa, estão ausentes há muito tempo.

O presidente da Associação Cultural José Marti            do Rio Grande do Sul, Ricardo Haesbaert, entende que o “crime” que motivou as prisões dos “Cinco” foi a defesa daquilo que está consagrado pelo direito internacional, ou seja, “a luta pelo respeito à soberania e  à autodeterminação  da Nação Caribenha”.

Haesbaert explica que, entre tantas ações terroristas do imperialismo, os cubanos tiveram os campos de cana de açúcar– essenciais para a economia do País – incendiados. A queima da produção teve como objetivo debilitar a principal fonte de trabalho e renda existente na Ilha. Foram várias as cartas enviadas pelo governo cubano aos Estados Unidos para que detivessem os ataques. O imperialismo silenciou e a saída para Cuba foi enviar os “Cinco” para que se infiltrassem no meio dos terroristas para informar sobre novos ataques. Assim a Ilha poderia adotar medidas contra resultados fatais.

Ricardo alerta que é preciso esclarecer cada vez mais à sociedade internacional e, principalmente à estadunidense, que enquanto os “Cinco” sofrem injustas prisões e pressões psicológicas, os verdadeiros terroristas como Luís Posada Carriles e Orlando Bosch circulam livremente. “Isso demonstra mais uma contradição moral dos Estados Unidos na condução do caso dos herois cubanos”.

Porém Cuba sabe que não está sozinha, pois se espraia no mundo o reconhecimento de que seus herois lutam por um ideal de transformação, no sentido de construir “um novo mundo possível”.

Uma nova farsa contra Gerardo Hernández

Enquanto o historiador Enrique Padrós define os “Cinco” como a “expressão dos valores do povo cubano e da persistência do seu projeto revolucionário”, novamente o manto imperialista busca encobrir a verdade e, como sempre, apoiado por uma sorrateira e subserviente mídia.

Como se não bastasse a falsidade das acusações contra Gerardo Hernández e a condenação que lhe foi imposta,  um artigo  publicado no Diário “El Nuevo Herald”, de Miami, no último dia 27 de dezembro, tenta caracterizar o “Heroi” como um traidor da sua Pátria, como fazem os mercenários cubanos sustentados  pelo governo dos Estados Unidos.

O artigo informa que em um recurso judicial Hernández contraria as informações de Havana, de que o ataque aos aviões operados por organizações estadunidenses anticastristas, em 1996, ocorreram em espaço aéreo cubano. O Diário qualifica a apelação de Gerardo como “desesperada” e  insinua que ele, em sua defesa, concorda com a versão dos Estados Unidos que os ataques ocorreram em águas internacionais.

Richard Klugh, o advogado estadunidense que defende Hernández desmente a informação do El Nuevo Herald e afirma que “a apelação apresentada em junho passado visa a celebração de um novo juízo e trata de um último recurso legal, pois  a Corte Suprema dos Estados Unidos negou-se, em junho de 2009, a revisar o caso que foi considerado finalizado”.

Na época do julgamento, nem Gerardo – que recebeu pena de duas prisões perpétuas mais 15 anos -, nem René González - condenado a 15 anos de prisão – foram novamente sentenciados. E com respeito a Hernandez, o Tribunal concluiu que a pena de cadeia perpétua por “conspirar e transmitir informações sobre a segurança nacional” havia sido exagerada. No entanto não aceitou outra determinação de pena afirmando que Gerardo já estava cumprindo cadeia perpétua pela acusação de atacar, a mando de Cuba, os dois aviões estadunidenses, em que morreram quatro pessoas. Tudo sem provas. Isso caracterizou uma vergonhosa e excludente medida judicial.

Informações: http://mejorlatino.com/article/Nacional/Metro/Agente_Preso_en_EEUU_Niega_Contradecir_al_Gobierno_Cubano/27092

Medidas pela liberdade dos “Cinco” serão intensificadas no Brasil

Muitos governos e seus povos não mais aceitam qualquer trajetória histórica marcada pela submissão a regimes políticos autoritários.  E o fim desses períodos já mostra a presença de outros participantes, principalmente latino–americanos cujas contribuições têm sido inquestionáveis para o fortalecimento da democracia.

No Brasil, os militantes da Associação Cultural José Martí do Estado  do Río Grande do Sul  vão solicitar que a nova  presidenta do País, Dilma Roussef, reforce, junto a Barack Obama, o pedido para a imediata libertação “Cinco”.  Dilma reforçou, em seu discurso de posse, que seu governo defenderá os princípios dos direitos humanos e se posicionará contra qualquer  ação terrorista ou intervencionista nas nações.

Neste mesmo sentido, a Associação entrará em contato com a nova Secretária dos Direitos Humanos do Brasil, Maria do Rosário, para reivindicar que seu Ministério se junte aos organismos internacionais que denunciam a falsidade das acusações e as injustiças cometidas contra os “Herois” cubanos.

Também, o presidente da Frente Parlamentar de Solidariedade a Cuba da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Deputado Raul Carrion (PC do B),  já está comprometido para efetivar campanhas pela libertação dos “Cinco” e deverá transmitir informações sobre o caso aos novos deputados eleitos no último mês de outubro que serão empossados em 1º de fevereiro.

Carrion propõe, ainda, uma parceria com as faculdades de direito do Estado – ao término das férias universitárias - para que os estudantes simulem “um julgamento” com base nos dados de defesa e acusação dos “Cinco”. Tudo com o objetivo pedagógico de desmascarar a farsa e apontar os equívocos jurídicos dos processos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário