sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Seminários no RS, SP e RJ: Oportunidades de Investimentos em Cuba

Zona Especial de Desenvolvimento do Porto de Mariel

O Porto de Mariel está localizado a 45km a oeste de Havana, capital de Cuba, ocupando uma área de cerca de 465km². As obras para ampliação e modernização do Porto foram iniciadas em 2011 e deverão ser concluídas em  2014. Com apoio de financiamentos do Brasil, o total de investimentos atinge a marca de 900 milhões de dólares.
Zona Especial de Desarrollo Mariel (ZEDM) é fundamentada pelo Decreto-Lei 313, aprovado em 19 de setembro de 2013 e que vigora desde o último dia 1º de novembro. Suas primeiras instalações devem ser inauguradas no início de 2014.
A ZEDM será um grande pólo para a atração de investimentos estrangeiros, no âmbito do objetivo do governo cubano de posicionar o país como localidade estratégica para o comércio internacional e o transporte marítimo, tendo em vista igualmente a conclusão da ampliação do Canal do Panamá, em 2015.
Objetivos: aumentar as exportações e promover a substituição de importações; facilitar a transferência de tecnologia e de know-how para o território cubano; e gerar novos empregos e desenvolver a infraestrutura do país.
Na Zona Especial, será permitida a instalação de concessionários e usuários. Os concessionários poderão ser pessoas jurídicas cubanas ou pessoas físicas e jurídicas estrangeiras, não-residentes em Cuba. O governo cubano poderá lhes oferecer concessões, temporariamente, para a gestão de serviços públicos, realização de obra pública, ou exploração de um bem de domínio público. Os usuários, por sua vez, poderão ser pessoas físicas e jurídicas cubanas, residentes em Cuba, ou pessoas físicas e jurídicas estrangeiras, não-residentes. Aos usuários será possibilitada a execução de atividades produtivas, comerciais, ou de serviços.
Para estímulo à atração de investimentos ao Porto de Mariel, a ZEDM oferecerá incentivos e regimes de tratamento especial aos concessionários e usuários. Estes incentivos abrangerão questões aduaneiras, tributárias, monetárias, bancárias e trabalhistas.

Local: FIESP

DATA: 21/11

Av. Paulista, 1313 - São Paulo, SP

Programação
09h30 – Credenciamento
10h – Abertura
10h15 - A Zona de Desenvolvimento Especial de Mariel:
Rodrigo Malmierca Díaz, Ministro de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro da República de Cuba.
Ana Teresa Igarza, Diretora do Escritório Regulador da ZEDM – Zona Especial de Desenvolvimento do Mariel;
11h10 –   Perguntas e Respostas
11h40 – Encerramento     

Programação sujeita a alterações
   
Retirado de FIESP

Nota do CUBAVIVA: outros 2 seminários serão realizados com o mesmo tema:

Um no Rio Grande do Sul em Porto Alegre:


Data: 20 de novembro de 2013
Horário: 14h30min
Local: Centro de Eventos FIERGS - Sala D1-100 
Av. Assis Brasil, 8787 - Porto Alegre/RS

O Governo do Estado do Rio Grande do Sul através da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI) e da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI) em parceria com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS) através do Conselho de Comércio Exterior (CONCEX) e do Centro Internacional de Negócios (CIN-RS) convida para Seminário sobre "Oportunidades de Negócios em Cuba".

EVENTO
O evento contará com a participação do Ministro de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro da República de Cuba, Sr. Rodrigo Malmierca Díaz e terá como objetivo a apresentação de oportunidades na "Zona de Desenvolvimento Especial de Mariel". Trata-se do maior espaço de oportunidades para investimento em Cuba.
A Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel (ZEDM) é fundamentada pelo Decreto-Lei 313, aprovado em 19 de setembro de 2013, cujas primeiras instalações deverão ser inauguradas em 2014. O Governo Cubano oferecerá incentivo e regimes de tratamento especial, possibilitando facilidades aos usuários de atividades produtivas, comerciais ou de serviços.

PRINCIPAIS SETORES POTENCIAIS:
Biotecnologia e farmácia
Energias renováveis
Agropecuaria Alimentaria
Turismo
Imobiliário
Embalagens 
Agricultura
Indústria em geral
Telecomunicações e Informática
Infraestrutura

PROGRAMAÇÃO
-Abertura
-Apresentação sobre a ZEDM (Zona de Desenvolvimento Especial do Porto de Mariel):
Rodrigo Malmierca Díaz, Ministro de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro da República de Cuba
Ana Teresa Igarza, Diretora do Escritorio Regulador da ZEDM - Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel
-Apresentação das oportunidades de negócios no setor de Biotecnologia em Cuba
Norkis Arteaga Morales, Chefe do Departamento de Negócios do Grupo Empresarial Biocubafarma 
-Encerramento 

INSCRIÇÕES* E INFORMAÇÕES
Centro Internacional de Negócios − CIN-RS
Fone: 51 3347 8675
E-mail: cin@fiergs.org.br
*Prazo para inscrições: 19/11/13.

Retirado de FIERGS

E outro no Rio de Janeiro:


Palestra: Oportunidades de Investimentos em Cuba

Data: 22 de novembro de 2013
Horário: 15h30 às 17h30
Local: Auditório Ruy Barreto (12º Andar)
Endereço: Palácio do Comércio – Rua Candelária, 9, Centro – RJ;
Informações: (21) 2514-1275 / (21) 2514-1276

Confirmação de presença: camaras@acrj.org.br 

Os primeiros investimentos para a Zona Especial de Desenvolvimento (ZED) de Cuba, no Porto de Mariel, estão previstos para o início de 2014. As regras de investimento na área propõem vantagens para investidores estrangeiros e cubanos, como isenções fiscais e facilidade para mover dividendos para fora do país, além de licenças de negócios por 50 anos, que podem ser renováveis.

Com olhos voltados para o desenvolvimento da Ilha, a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) recebe o ministro de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro da República de Cuba, Rodrigo Malmierca Díaz, para falar sobre oportunidades de investimentos em Cuba, dia 22 de novembro de 2013, às 15h30. 

Com 465 km² de área, o Porto de Mariel está localizado a oeste de Havana, capital cubana. O total de investimentos para a ampliação e modernização, com apoio de financiamentos do Brasil, é de US$ 900 milhões.


Retirado de ACRJ


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Cuba é eleita para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas

NACIONES UNIDAS – A Assembleia Geral composta de 193 membros elegeu nesta terça-feira 14 novos membros do Conselho de Direitos Humanos, cujo mandato de 3 anos começará em janeiro de 2014.
Cuba e México pela América Latina;  Argélia, Marrocos, África do Sul e Namíbia pela Africa; China, Vietnã, Maldivas  Arábia Saudita pela Asia/Pacífico; Rússia e Macedônia pela Europa Oriental e França e Reino Unido pela Europa Ocidental foram os países eleitos.
Entre os três países latino-americanos que disputavam os dois postos regionais, Cuba obteve 148 votos e México 135, enquanto o Uruguai ficou com 93, segundo indicou o presidente da Assembelia Geral, o antiguano John Ashe, ao ler os resultados da votação.
Pela  Asia/Pacífico, Vietnã teve 184 votos, 176 da China, 164 de Maldivas e 140 da Arábia Saudita.
Macedonia alcançou 177 votos pela Europa Oriental, enquanto a Rússia conseguiu o respaldo de 176. Na Europa Ocidental, França teve 174 sufrágios e o Reino Unido, 171, enquanto Andorra, Grécia, Luxemburgo, Portugal e São Marino só obtiveram um voto cada um.
Na África que elegia 4 membros, o país com mais votos foi a África do Sul com 169, seguido da Argélia, 164; Marrocos, 163; e Namíbia, 150.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Solidariedade a Cuba perde o companheiro Messias Pontes

A Casa de Amizade Brasil-Cuba do estado do Ceará e movimento brasileiro de solidariedade a Cuba acaba de perder um dos seus melhores militantes
"É com muita tristeza que anunciamos o falecimento do grande Jornalista Messias Pontes, um dos fundadores da Casa de Amizade no Ceará. O companheiro Messias lutou contra a ditadura militar em nosso país, tendo sido preso e torturado, e nunca deixou de sonhar com um mundo mais justo. Dedicava muito do seu tempo a defender Cuba em sua carreira de jornalista".
Abaixo reproduzimos um dos artigos do companheiro jornalista Messias Pontes:

Cuba é exemplo para o mundo - Messias Pontes

Enquanto a mídia conservadora mundial encobre e é conivente com os bárbaros crimes perpetrados pelo imperialismo, notadamente o norte-americano, Cuba age silenciosamente prestando solidariedade em dezenas de países pobres, em especial na América Latina. São duas posições diametralmente opostas.
Quem não se lembra do terremoto que praticamente destruiu o Haiti, causando 250 mil mortes, inclusive de brasileiros, destacando-se Dona Zilda Arns, e 1,5 milhão de desabrigados? Enquanto os Estados Unidos mandavam dezenas de milhares de militares, Cuba mandava médicos e enfermeiros para atenderem os feridos, a maioria em estado grave. As tropas ianques ocuparam o aeroporto da capital Porto Príncipe, proibindo a aterrizagem de aviões de países que levavam ajuda humanitária mas que não contavam com a simpatia do Pentágono.
Uma brigada de 1.200 médicos está atuando em todo o território haitiano, atendendo as vítimas do terremoto e infectados com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro. Enquanto os médicos cubanos cuidavam dos feridos e confortavam suas famílias, os militares ianques reprimiam violentamente a população mais pobre. O mundo deveria se envergonhar dessa situação.
Atualmente, mais de 8.200 estudantes pobres de mais de 30 países estudam medicina em Cuba. Além da gratuidade, esses alunos ainda recebem uma bolsa do governo cubano. Do Brasil são 684 estudantes pobres que estudam na Escola Latino-americana de Medicina (ELAM). Do Ceará são 33, e 70 já terminaram o seu curso e atuam principalmente no interior do Estado, muitos deles em assentamentos do MST.
Com o apoio do governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Saúde, os  cearenses que estudam na ELAM  e que vem passar as férias de meio do ano aqui, realizam jornadas na periferia de Fortaleza e no interior do estado, mais precisamente nas localidades mais carentes. Este ano, a jornada será realizada no município de Sobral no período de 1º a seis de agosto, contando com o apoio do prefeito Clodoveu (Veveu) Arruda, da Sesa e da Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará. Esse trabalho é coordenado por Thiago Ponciano, cearense que preside a Associação dos Estudantes Brasileiros em Cuba.
Neste mês de julho, o sistema de saúde da Nicarágua será fortalecido com a chegada de 315 estudantes egressos da ELAM. Eles acabam de concluir o quinto ano do Curso de Medicina e tão logo cheguem a seu país se incorporarão ao sistema nacional de saúde como internos enquanto cursam o sexto e último ano com professores da brigada médica cubana Che Guevara, que presta serviços há vários anos nessa nação centro-americana.
Segundo informou o doutor Alfredo Rodriguez, chefe da brigada médica cubana, depois de graduar-se como médicos, eles continuarão mais dois anos como residentes em especialidade de Medicina Geral Integral. Ao todo são 425 os estudantes nicaragüenses que concluíram Medicina este ano na ELAM, porém só esses 315 continuarão seus estudos na Nicarágua, enquanto os outros 137 restantes o farão em Cuba. No total são 880 os jovens nicaragüenses a se formarem em Medicina e Cuba e outros 15 em carreiras tecnológicas.
É importante observar que nos Estados Unidos mais de 55 milhões de pessoas não têm acesso a nenhuma assistência básica de saúde. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a aconselhar o presidente Barack Obama a criar um sistema nos moldes do SUS visando à universalização da saúde naquele país, porém lá isso é quase impossível porque a saúde é tratada como mercadoria, ou seja, só tem acesso quem tem dinheiro.
A colonizada direita brasileira e certos setores ditos de “esquerda” deveriam atentar para o fato de que, enquanto Cuba – apesar do criminoso boicote econômico, financeiro e comercial imposto pelo império do Norte – ajuda países pobres, na maioria latino-americanos, o governo estadunidense proíbe até que laboratórios vendam remédios para tratar crianças cubanas com câncer.
Num flagrante desrespeito aos mais elementares direitos humanos e à autodeterminação dos povos, contrariando orientações das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, informou na última sexta-feira  15, ao Congresso do seu país, que prorrogou por mais seis meses a suspensão de uma cláusula da Lei Helms-Burton que permite entrar com um processo contra empresas estrangeiras que negociem com Cuba. Essa ação unilateral do governo ianque representa a continuidade do cruel e criminoso bloqueio contra a Ilha, que já dura mais de meio século.
O que a velha mídia conservadora, venal e golpista brasileira, vergonhosamente esconde, é que em Cuba a saúde é universalizada e o analfabetismo é zero, e que, com ajuda de professores cubanos a Venezuela e a pobre Bolívia erradicaram o analfabetismo. A informação é da UNESCO.
O método de alfabetização cubana é o que há de mais avançado no mundo. Professores cubanos atuam em dezenas de países, incluindo o Brasil, sendo dezenas deles no Ceará. Enquanto Cuba ajuda na educação, o imperialismo, notadamente o norte-americano bombardeia há anos escolas e hospitais no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão, e agora na Líbia.
Por tudo isto e muito mais é que Cuba é exemplo para o mundo.
21/7/2011

Retirado de ABN



Nota do PCdoB a respeito do jornalista Messias Pontes, que morreu sábado passado, dia 9/11:
O Partido Comunista do Brasil, por sua direção estadual, manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do jornalista, radialista e militante comunista Messias de Araújo Pontes, ocorrido na noite deste sábado, dia 09 de novembro.
Militante histórico do PCdoB, no qual ingressou no início dos anos 1970, oriundo da Ação Popular – organização revolucionária que se integrou ao nosso partido em 1972 – Messias Pontes iniciou sua atuação política ainda jovem, no movimento secundarista e depois nos movimentos de educação popular.
Por sua luta contra o regime militar foi perseguido, preso e torturado barbaramente. Libertado, ingressou na luta pela anistia e já deu seus primeiros passos no Radialismo, onde se destacou como um dos mais aguerridos defensores da liberdade de expressão e da democratização da comunicação. Seu programa de rádio “Espaço Aberto” se transformou numa trincheira dos movimentos sociais e das forças democráticas e progressistas.
Como jornalista atuou no Mutirão, órgão da imprensa popular e democrática cearense, nos jornais O Povo, Tribuna do Ceará, Diário do Nordeste e O Estado, onde matinha uma coluna semanal. Trabalhou na TV Ceará (TVC), emissora pública estadual, onde chegou a ser diretor de jornalismo. Atualmente era também colunista nacional do Portal Vermelho, onde semanalmente abordava temas de grande relevância e travava o debate de ideias de forma firme e convicta. Messias foi ainda diretor da Associação Cearense de Imprensa (ACI) e do Sindicato dos Jornalistas do Ceará, onde atualmente presidia a Comissão da Verdade, Memória e Justiça dos Jornalistas Cearenses, que resgata a história de profissionais perseguidos pela ditadura no Estado.
Convicto do ideal socialista, era um entusiasta da experiência cubana, integrava a Associação de Amizade Brasil-Cuba/Casa Jose Marti e em 2011 realizou o grande sonho de conhecer Cuba, onde participou das comemorações do Primeiro de Maio. Messias foi fiel ao partido até seu último momento de vida. Há um ano enfrentava um câncer no pâncreas, mas jamais se desligou totalmente da militância. Por ocasião da 21a Conferencia Estadual do PCdoB, realizada no início de outubro, já hospitalizado, lamentou muito não poder participar da plenária final, que ainda o elegeu para a direção estadual, a qual integrava há décadas. Pouco antes de sua última internação ainda achou forças para acompanhar a conferência municipal de Miraíma, onde era responsável pela estruturação e funcionamento do PCdoB local.
Hoje seus camaradas e todos os democratas rendem profunda homenagem a Messias Pontes, militante revolucionário que nos comove com sua morte, mas nos emociona com sua aguerrida trajetória de luta. O PCdoB se solidariza e abraça fraternalmente sua companheira Nilma, o filho Carlos e as filhas Silvana e Márcia, assim como os netos, as netas e todos os parentes deste nosso bravo e imprescindível lutador.

Descanse em paz, camarada Messias Pontes.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Pela 22ª vez, Assembleia Geral da ONU pede fim de bloqueio a Cuba

Nos 51 anos de bloqueio dos EUA a ilha, prejuízo ocasionado aos cubanos chega a US$1,1 trilhão, estima governo.
 
 
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou na terça-feira, dia 29/10, o 22º projeto de resolução – em 22 anos – que pede o fim do bloqueio norte-americano a Cuba. Com voto de 188 dos 193 membros do organismo internacional, a decisão se baseou em um relatório da Ilha sobre os impactos do bloqueio. Os pedidos têm sido repetidamente ignorados pela Casa Branca.
 
“O que se ganha com essa política velha e eticamente inaceitável que não funcionou nos últimos 50 anos?”, questionou o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, perante a plenária. O ministro ainda afirmou que o bloqueio piorou sob a administração de Barack Obama – ironicamente, eleito “para a mudança”.
 
A resolução se baseia nos princípios de soberania, igualdade entre os Estados e não interferência nos assuntos internos de outros países da Carta da ONU. Cuba, junto de outras nações, denunciaram os Estados Unidos por violações do direito internacional, lembrando as consequências do bloqueio na sociedade civil cubana.
 
Entre os afetados, estão os pacientes de um centro cardiológico em Havana que não podem ser atendidos com aparelhos de alta tecnologia porque sua compra não foi autorizada pelos EUA. Segundo o relatório formulado pelo governo cubano, o prejuízo ocasionado à ilha desde o começo do bloqueio, em 1962, chega a US$1,1 trilhão.
 
O documento também sustenta em suas conclusões que, durante os últimos cinco anos, ocorreu um “persistente recrudescimento”, especialmente de sua “dimensão extraterritorial”. “Durante este período, a pertinaz perseguição e obstrução das transações financeiras internacionais de Cuba se transformou na prioridade da política de asfixia econômica mantida contra o povo cubano”, diz.
 
“A cada dia há um número maior de bancos no mundo que, por pressões norte-americanas diretas ou indiretas, se negam a realizar transações com Cuba”, afirmou vice-ministro de Relações Exteriores, Abelardo Moreno, na apresentação do relatório. De acordo com o documento, em dezembro de 2012, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA multou o banco HSBC, com sede em Londres, por um montante de US$375 milhões, por realizar operações com Cuba.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Mostra Cultural Cubana em Curitiba

Cultura cubana é homenageada em Curitiba com mostras de filmes, fotos e poesia

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Até a próxima segunda-feira, 28, os curitibanos poderão curtir uma programação especial em homenagem ao Dia da Cultura Cubana, comemorado no último dia 20 de outubro.  Entre as atrações está a Jornada de Cinema Cubano na Cinemateca de Curitiba e uma exposição sobre a poesia de amor do escritor cubano José Martí Pérez, de 25 a 28 de outubro.
São convidados de Cuba Jorge Caballero Menéndez – Escritor Atílio, e ganhador do premio Cervantes 2012 em narrativa. Miguel Angel Albuerne Arcay – Artista Plástico e designer de comunicação visual. Esperanza Diaz Díaz – Doutora em Filologia Espanhola.
Confira a programação
Dia 25, 19h - JOSÉ MARTÍ, O OLHO DO CANÁRIO | José Martí: El ojo del canario (Cuba, 2010 – 120’ – ficção histórica – DVD).
Direção: Fernando Pérez
Inspirado na infância e adolescência de José Marti, até completar dezesseis anos e se tornar preso político em Cuba.
Classificação 12 anos
Dia 26, 16h30 e 19h - BOLAS DE SABÃO | Pompas de jabón (Cuba, 2004 – 66’ – ficção – DVD).
Direção: Charly Medina
Fernanda é uma jovem que sai com estrangeiros para resolver suas necessidades econômicas. Conhece um segredo de seu passado familiar que lhe fará tomar decisões importantes em sua vida.
Classificação 14 anos
Dia 27, 16h30 e 19h - ENTRE MARX E UMA MULHER NUA | Entre Marx e uma mujer desnuda (Equador, 1996 – 92’ – ficção – DVD).
Direção: Camilo Luzuriaga
O filme mostra a atormentada relação de um grupo de jovens ativistas com sua realidade, a filosofia marxista e o sexo, durante a década de 60, no Equador, quando a revolução parecia estar logo na esquina e onde tudo era proibido, até o amor.
Classificação 16 anos
Dia 26
16h30
TIC-TAC (Cuba, 2008 – 6’ – animação) Direção: Alien Ma.
LOS PUROS (Cuba, 2008 – 3’ – animação). Direção: Eilyn Prieto
LA SEMILLA (Cuba, 2008 – 2’ – animação). Direção: Niels del Rosário Bermúdez.
A REVOLUÇÃO CUBANA EM IMAGENS | La Revolución Cubana em imágenes (Cuba, 1999 – 48’ – documentário – DVD).
Direção: Adolfo Marino
Documentário por ocasião dos 40 anos da Revolução Cubana. Realizado a partir das imagens do arquivo histórico do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (ICAIC). Versão original em espanhol.
Classificação livre
19h
MADRIGAL (Cuba, 2007 – 112’ – drama – DVD).
Direção: Fernando Pérez
Javier é um jovem ator e escritor inventivo. Ele embarca num romance com Luisita, moça de segredos e complexos. A simbiose entre o que escreve e o que vive com Luisita desgastam a relação. Incapaz de separar imaginação de realidade, Javier cai vítima do próprio jogo e Luisita desaparece. Quinze anos depois, Javier transforma a relação em literatura. A história que escreve recria o acontecido de forma simbólica. Novamente, Javier perde as fronteiras entre realidade e ficção.
Classificação 14 anos
Ingresso: gratuito
Data(s): 25/10/2013 a 28/10/2013 – 2ª e 6ª feira, sábado e domingo
Espaço Cultural Cinemateca de Curitiba
Endereço: Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco
Contato: (41) 3321-3310
Horário de funcionamento: 9h às 12h e 14h às 22h30 (3ª a 6ª feira) e 14h30 às 22h30 (sábado e domingo). O espaço só abre na 2ª feira quando há programação especial

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Retirado de Boca Maldita

sábado, 19 de outubro de 2013

Declaração Final do X Fórum Contra o Bloqueio



X Fórum contra o bloqueio das organizações da sociedade civil cubana e organizações internacionais e regionais com base em Cuba

Declaração Final
O X Fórum contra o bloqueio das organizações da sociedade civil cubana e organizações internacionais e regionais com sede em Cuba reitera a sua denúncia e condenação ao bloqueio financeiro, econômico e comercial imposto pelo governo dos Estados Unidos da América contra Cuba há mais de 50 anos.
Dando continuidade as posições tomadas em fóruns realizados anteriormente, as organizações participantes expressamos:

1. Nossa demanda ao governo dos Estados Unidos da América e seu Presidente o Sr. Barack Obama para pôr fim a esta política contra Cuba, que é ilegal, injusta, genocida e representa um dos principais obstáculos ao desenvolvimento econômico e social do nosso país

2. Que o bloqueio é uma grosseira, massiva e sistemática violação dos direitos humanos do povo de Cuba. Ele continua sendo uma política criminosa, desumana, absurda, ilegal e moralmente insustentável, com sensível impacto humanitário, que não cumpriu nem cumprirá jamais o propósito de curvar a decisão patriótica do povo cubano de preservar sua soberania, independência e direito à auto-determinação. O bloqueio gera escassez e sofrimento para a população, limita e retarda o desenvolvimento do país e viola os nossos direitos fundamentais assim como os direitos humanos do povo estadunidense.

3. Que o bloqueio contra Cuba, que é o mais prolongado, cruel e injusto conhecido pela história da humanidade, é um ato ilegal, viola importantes normas e princípios do direito internacional, qualificado como crime de genocídio, conforme previsto na Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, de 9 de dezembro de 1948, ignora os princípios da Carta das Nações Unidas e de outros tratados internacionais que condenam esses atos como contrários a paz, a convivência pacífica e a cooperação entre as nações.

4. Que a política de bloqueio não é questão bilateral, que tem caráter extraterritorial e viola o direito internacional e as regulamentações internacionais de comércio, apesar do enorme rechaço que recebe tal política. Também destacamos que o bloqueio tem sido reforçado durante o último ano, como evidenciado pelo aumento das sanções e perseguições contra cidadãos, instituições e empresas de terceiros países que estabelecem ou pretendem estabelecer relações econômicas, comerciais, financeiras ou técnico-científicas com Cuba.

5. Que é contrário à cooperação internacional e qualificamos como escandaloso o recrudescimento da perseguição às transações financeiras internacionais de Cuba, incluindo as originadas em organismos multilaterais de cooperação com a Ilha e que essas ações continuam aumentando por parte do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos da América, mediante ao crescente aumento de aplicação de multas e outras sanções a empresas e bancos estrangeiros por realizarem operações comerciais ou financeiras, de uma forma ou outra relacionadas com nosso país.

6. Nosso respaldo unânime à apresentação por parte de nosso país do projeto de resolução: "Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba", a ser considerado pela Assembléia Geral das Nações Unidas no dia 29 de outubro próximo.

7. Que é uma expressão confiável do isolamento da política de bloqueio do governo dos EUA contra Cuba, que a esmagadora maioria dos Estados membros da ONU votem, por mais por 20 anos consecutivos, em favor da resolução cubana, apresentada anualmente na Assembleia Geral, que pede ao governo estadunidense o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto contra nosso país.

Os participantes do X Fórum contra o bloqueio reconhecemos e agradecemos a ampla e efetiva solidariedade com o nosso país de milhares de organizações da sociedade civil em todo o mundo, especialmente aquelas que representam os mais nobres sentimentos do povo estadunidense e valorizamos muito o seu apoio solidário na luta para acabar com a política injusta e imoral que aplica o governo dos Estados Unidos da América contra o nosso povo.
Nós, representantes da sociedade civil ratificamos nossa determinação de aprofundar a obra da Revolução, e continuar a construir uma Pátria independente, solidária e justa; que preserve as conquistas alcançadas.
Havana, 18 de outubro de 2013.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

50 verdades sobre a ditadura de Fulgencio Batista em Cuba

A ditadura de Fulgencio Batista, de 1952 a 1958, precipitou o advento da Revolução Cubana. Alguns mitos, cuidadosamente alimentados pelos partidários do antigo regime exilados em Miami e pelos detratores de Fidel Castro, ainda persistem.


1. O golpe de Estado de 10 de março de 1952, organizado por Fulgencio Batista, que tinha sido presidente da República entre 1940 e 1944, colocou fim à ordem constitucional e derrubou o governo democraticamente eleito de Carlos Prío Socarrás, alguns meses antes das eleições presidenciais de junho de 1952.

2. Antigo sargento estenógrafo, Batista passou a fazer parte da política cubana durante a Revolução de 4 de setembro de 1933, que foi liderada pelos estudantes e que derrubou a ditadura odiada de Gerardo Machado. Ele encabeçou uma rebelião de suboficiais e se apoderou do Exército, transformando-se no novo chefe do Estado- Maior. No dia seguinte, 5 de setembro de 1933, Batista visitou o embaixador estadunidense Sumner Welles, que profetizou sua futura traição. Welles estava preocupado com os “elementos extremamente radicais” que acabavam de tomar o poder. O governo revolucionário de Ramón Grau San Martín, conhecido como “A Pentarquía”, tinha o apoio da “imensa maioria do povo cubano”, segundo a embaixada estadunidense.



3. Os Estados Unidos se negaram a reconhecer o novo governo revolucionário e encorajaram Batista a usar a força para derrubar San Martín. Este último defendia, por meio da voz de Antonio Guiteras, verdadeira alma da Revolução de 1933, a soberania nacional e a justiça social. Welles informou a Batista que dispunha do “apoio da imensa maioria dos interesses econômicos e financeiros em Cuba.”


4. Em janeiro de 1934, com o apoio de Washington, Batista derrubou o governo do Grau San Martín, conhecido como o governo dos “cem dias” (127 dias), impôs a figura de Carlos Mendieta e conservou o poder real. O sargento promovido a general tinha acabado de vencer as campanhas da Revolução de 1933. Washington alegrou-se com a situação: “O 4 de setembro de 1933 foi liquidado.”


5. Apesar das incessantes conspirações, da instabilidade política crônica e da hostilidade dos Estados Unidos, a [o governo da ] Revolução de 1933 organizou eleições para o dia 22 de abril de 1934; convocou uma Assembleia Constituinte para o dia 20 de maio de 1934; deu autonomia às universidades; reduziu o preço dos artigos de primeira necessidade; outorgou às mulheres o direito de votar; limitou a jornada de trabalho a oito horas; criou o Ministério do Trabalho; reduziu as tarifas de eletricidade e de gás; acabou com o monopólio das empresas estadunidenses; impôs uma moratória temporária sobre a dívida e, sobretudo, nacionalizou a Cuban Electric Company, filial da American Bond and Foreign Power Company.


6. De 1934 a 1940, Batista reinou nos bastidores até ser eleito presidente da República, em 1940, graças a uma coalizão heterogênea que agrupava as forças conservadoras e os comunistas do Partido Socialista Popular. Segundo Washington, “o volume e o tamanho da corrupção”, o alinhamento com a política exterior estadunidense e a sua dependência do mercado estadunidense marcaram seu governo. Batista permitiu, também, que Washington utilizasse o espaço aéreo, marítimo e terrestre [cubano ], dispusesse de várias bases aéreas e navais [no país]  com uso exclusivo durante a Segunda Guerra Mundial, sem reciprocidade, pondo assim a soberania nacional entre parênteses.

7. Em 1944, Ramón Grau San Martín foi eleito presidente da República e tomou posse em outubro de 1944. Batista deixou uma situação financeira desastrosa para o seu sucessor. O embaixador estadunidense Spruille Braden se deu conta da situação já em julho de 1944 e informou seus superiores: “É cada vez mais evidente que o presidente Batista deseja dificultar a vida da próxima administração de todas as formas possíveis, e, particularmente, do ponto de vista financeiro”. Braden denunciou “um roubo sistemático dos fundos do Tesouro” e disse que “o Dr. Grau vai encontra os caixas vazios quanto tome posse.”


8. Grau San Martín dirigiu o país até 1948 e a sua administração esteve gangrenada pela corrupção e pela dependência dos Estados Unidos. O Departamento de Estado enfatizou a débil situação da nação cubana em um memorando de 29 de julho de 1948: “A economia monocultora depende quase exclusivamente dos Estados Unidos. Se manipularmos os preços ou o contingente açucareiro podemos afundar toda a ilha na pobreza.”


9. Carlos Prío Socarrás, primeiro-ministro de Grau em 1945 e ministro do Trabalho depois, venceu a eleição presidencial de 1948. O nepotismo e a corrupção marcaram a sua administração.


10. No dia 10 de março de 1952, a três meses das eleições presidenciais de 1 de junho de 1952, Batista rompeu a ordem constitucional e instaurou uma ditadura militar. Aumentou o salário das forças armadas e da polícia (de 67 pesos para 100 pesos e de 91 pesos para 150 pesos, respectivamente); outorgou para si mesmo um salário anual maior que o do presidente dos Estados Unidos (passou de 26.400 dólares para 144 mil dólares, enquanto [Harry S.] Truman ganhava 100 mil); suspendeu o Congresso e entregou o poder legislativo ao Conselho de Ministros; eliminou o direito à greve; restabeleceu a pena de morte (proibida pela Constituição de 1940); e suspendeu as garantias constitucionais.


11. No dia 27 de março de 1952, os Estados Unidos reconheceram oficialmente o regime de Batista. Como apontou o embaixador estadunidense em Havana, “as declarações do general Batista a respeito do capital privado foram excelentes. Fora muito bem recebidas e, eu sabia, sem dúvida alguma, que o mundo dos negócios é dos mais entusiastas partidários do novo regime.”
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12. Em julho de 1952, Washington assinou acordos militares com Havana, ainda que consciente do caráter brutal e arbitrário do novo poder. Cuba está “sob o jugo de um ditador sem piedade”, destacou a embaixada estadunidense em um relatório confidencial de janeiro de 1953, destinado ao Departamento do Estado. De fato, o general reprimia com mão de ferro a oposição, particularmente a juventude estudantil simbolizada pelo assassinato do jovem Rubén Batista em janeiro de 1953.

13. No dia 26 de julho de 1953, um jovem advogado chamado Fidel Castro encabeçou uma expedição armada contra o quartel Moncada, segunda maior fortaleza militar do país. Foi um fracasso sangrento. O consulado estadunidense de Santiago de Cuba, disse que “o Exército não fez distinção entre os insurgentes capturados ou simples suspeitos”, reconhecendo o massacre cometido pelos soldados depois de receber ordens do coronel Alberto del Río Chaviano. Enfatizou também “o número muito baixo de feridos entre os insurgentes em relação ao número de soldados feridos [...]. Os agressores capturados foram executados a sangue frio e os agressores feridos também foram liquidados.”


14. Em novembro de 1954, Batista organizou uma paródia eleitoral que ganhou sem dificuldade. Os Estados Unidos reconheceram que “as eleições de Batista eram um simulacro destinado à agarrar-se ao poder.”


15. Em novembro de 1955, depois de uma ordem de Washington, o regime militar criou o Bureau de Repressão das Atividades Comunistas (BRAC), que se encarregava de “reprimir todas as atividades subversivas que pudessem afetar os Estados Unidos.”


16. Se os discursos de Batista eram ferozmente anticomunistas, é conveniente lembrar que foi ele quem estabeleceu pela primeira vez relações diplomáticas entre Cuba e a União Soviética, em 1942.


17. Durante toda a ditadura militar, Batista manteve relações comerciais com Moscou, vendendo açúcar. Em 1947, o Diario de la Marina, jornal conservador cubano, se alegrou com estas vendas destacando que “o preço do açúcar tinha melhorado depois de a União Soviética adquirir 200 mil toneladas”. Em nenhum momento Washington se preocupou com as relações comerciais entra a União Soviética e Cuba sob a ditadura de Batista. A história seria outra quando Fidel Castro chegasse ao poder.


18. Em maio de 1955, Batista, que desejava melhorar sua imagem e responder a uma petição popular, concedeu anistia geral e libertou Fidel Castro, assim como todos os outros presos de Moncada.


19.  No dia 2 de dezembro de 1956, depois de organizar uma expedição partindo do México, onde conheceu Che Guevara, Fidel Castro desembarcou em Cuba com 81 homens para dar início a uma guerra internacional contra a ditadura militar de Batista. Surpreendida pelo Exército, a operação foi um fracasso e os revolucionários tiveram de se separar. Fidel Castro se encontrou com outros 11 insurgentes, que tinham um total de apenas 7 fuzis.


20. O embaixador estadunidense Arthur Gardner expressou seu ponto de vista sobre Fidel Castro em um relatório enviado ao Departamento de Estado. O líder do Movimento 26 de Julho era um “gângster” que “ia se apoderar das indústrias americanas” e “nacionalizar tudo”. Quanto ao ditador Batista, “duvido que tenhamos tido melhor amigo que ele”. Faltava, então, “apoiar o atual governo e promover a expansão dos interesses econômicos estadunidenses.”


21. Batista exercia violência feroz contra a oposição. Mas os Estados Unidos se mostraram discretos em relação aos crimes que o seu aliado cubano cometia. Entretanto, a embaixada estadunidense em Havana multiplicava os relatórios sobre o tema: “Estamos convencidos agora de que os assassinatos recorrentes de pessoas a quem o governo qualifica como opositores e terroristas são, na realidade, o trabalho da polícia e do Exército. No entanto, o adido jurídico recebeu confissões indiretas da culpa dos círculos policiais, além de provas da responsabilidade da polícia.”


22. Wayne S. Smith, jovem funcionário da embaixada estadunidense, ficou chocado com os massacres cometidos pelas forças da ordem. Descreveu cenas de terror: “A polícia reagia de maneira excessiva à prisão dos insurgentes, torturando e matando centenas de pessoas, tanto inocentes como culpados. Os corpos são abandonados, enforcados em árvores, nas rodovias. Tais táticas levaram a opinião pública a rejeitar Batista e apoiar a oposição.”


23. Em fevereiro de 1957, a entrevista com Fidel Castro realizada por Herbert Matthews, do The New York Times, permitiu que a opinião pública estadunidense e mundial descobrisse a existência de uma guerrilha em Cuba. Batista confessaria mais tarde em suas memórias que graças a esse palco jornalístico “Castro começava a ser um personagem de lenda”. Matthews relativizou, no entanto, a importância de sua entrevista: “Nenhuma publicidade, por mais sensacional que fosse, teria podido ter efeito se Fidel Castro não fosse precisamente o homem que eu descrevi.”


24. No dia 13 de março de 1957, um comando do Diretório Revolucionário do líder estudantil José Antonio Echeverría, que era composto de 64 jovens, atacou o Palácio Presidencial com o objetivo de executar Batista. A operação foi um fracasso e custou a vida de 40 dos 64 estudantes. Os sobreviventes foram perseguidos pela cidade e assassinados. Echeverría perdeu a vida durante um enfrentamento com a polícia perto da Universidade de Havana.


25. A embaixada francesa em Havana analisou o ataque de 13 de março: “As reações americanas aos acontecimentos em Cuba eram de horror, de simpatia pelos insurgentes, de reprovação contra Batista. Ao ler as reportagens que os principais jornais cubanos dedicaram ao evento, fica claro que o heroísmo dos patriotas cubanos marcou muito os Estados Unidos [...]. Se alguns reconhecem, no entanto, que os insurgentes de 13 de março estavam errados em seus métodos, é verdade, muito mais que em seus objetivos, todos estimam em troca que deram à sua causa a palma do martírio e que este exemplo estimularia a oposição cubana.”


26. Fidel Castro, que fez uma aliança com o Diretório Revolucionário na luta contra Batista, não concordava com o assassinato político: “Estávamos contra Batista, mas nunca tentamos organizar um atentado contra ele e teríamos podido fazê-lo. Era vulnerável. Era muito mais difícil lutar contra o Exército dele nas montanhas ou tentar tomar uma fortaleza que era protegida por um regimento. Quantos estavam no quartel de Moncada, naquele 26 de julho de 1953? Cerca de mil homens, talvez mais. Preparar um ataque contra Batista e eliminá-lo era dez ou vinte vezes mais fácil, mas nunca o fizemos. Por acaso o tiranicídio serviu alguma vez na história para fazer uma revolução? Nada muda nas condições objetivas que geram uma tirania [...]. Nunca acreditamos no assassinato de líderes [...], não acreditávamos que se abolia ou eliminava um sistema quando se eliminava seus líderes. Combatíamos as ideias reacionárias, não os homens.”


27. Nas montanhas de Sierra Maestra, onde aconteciam os combates entre o Exército e os insurgentes, Batista evacuou à força as famílias camponesas para eliminar a base de apoio dos rebeldes e as concentrou em armazéns da cidade de Santiago. Aplicava, assim, os métodos do general espanhol Valeriano Weyler durante a guerra de 1895-1898. Em uma reportagem, a revista Bohemia denunciou uma “situação de tragédia” que lembrava “as épocas mais obscuras de Cuba”. A revista semanal relatou a sorte de cerca de 6 mil vítimas: “É uma história dolorosa, de sofrimentos, de penas intensas. É a história de 6 mil cubanos obrigados a deixarem seus lares, ali, nos rincões inextricáveis de Sierra Maestra, para serem concentrados em lugares onde lhes faltava tudo, onde era difícil ajudá-los, dar-lhes uma cama ou um prato de comida.”


28. No dia 29 de julho de 1957, o assassinato de Frank País, líder do Movimento 26 de Julho no estado de Oriente, desatou uma imensa manifestação que foi reprimida pelas forças de Batista, a ponto de o embaixador estadunidense Earl E. T. Smith se sentir obrigado a denunciar “a ação excessiva da polícia.”


29. No dia 5 de setembro de 1957, o levante de uma parte do Exército contra Batista [na cidade de] Cienfuegos foi afogado em sangue. Segundo o embaixador Smith, “o fator-chave para quebrar a revolta de Cienfuegos” foi o uso de aviões “F-47 e B-26”, fornecidos pelos Estados Unidos.


30. No dia 29 de setembro de 1957, o Colégio Médico Cubano publicou um relatório sobre a situação política cubana durante a XI Assembleia Geral da Associação Médica Mundial. Segundo ele, “os combatentes da luta arma que se rendem são liquidados. Não há prisioneiros, só há mortos. Muitos opositores não são submetidos ao Tribunal de Justiça, são executados com um tiro na nuca ou enforcados. Intimidam os magistrados e os juízes sem que as vozes de protestos sejam escutadas. A desesperança se difunde entre os jovens que se sacrificam em uma luta desigual. Aquele que é perseguido não encontra refúgio. Na embaixada do Haiti, dez solicitantes de asilo foram assassinados pela força pública [...]. A imprensa está totalmente censurada. Não se permite a informação jornalística, nem sequer por parte das agências internacionais [...]. Nos locais do Exército e dos corpos de repressão da polícia os detidos são torturados para arrancar deles à força a confissão de supostos delitos. Vários feridos que estavam em clínicas e hospitais foram levados à força e apareceram várias horas depois assassinados nas cidades ou no campo”. O Washington Post e o Times Herald destacaram que “os médicos cubanos são vítimas de atrocidades, inclusive de assassinato por curar rebeldes cubanos.”


31. Em 1958, além de apoiar o regime de Batista, os Estados Unidos julgaram e prenderam Carlos Prío Socarrás, presidente legítimo de Cuba, refugiado em Miami, sob o pretexto de violar as leis de neutralidade do país, Ele tentava organizar uma resistência interna contra a ditadura.


32. Quanto à liberdade de imprensa, os Estados Unidos apresentaram  a Cuba pré-revolucionária com uma visão positiva. Assim, afirmam, “antes de 1959, o debate público era vigoroso: havia 58 jornais e 28 canais de televisão que proporcionavam uma pluralidade de pontos de vista políticos”. Os documentos da época e os acontecimentos contradizem esta afirmação. De fato, um relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, por sua sigla em espanhol), publicado em 1957, chamou de “antidemocrático o governo do presidente Fulgencio Batista de Cuba, já que o governo não respeita a liberdade de imprensa”. De fato, a censura à imprensa se aplicou durante 630 dias dos 759 que durou a guerra insurrecional, entre 2 de dezembro de 1956 e 1 de janeiro de 1959.


33. Sob o mando de Batista, a corrupção era endêmica. “Os diplomatas informam inclusive que se sempre houve corrupção governamental em Cuba, nunca foi tão eficaz e generalizada como durante o regime do presidente Fulgencio Batista”, afirmou o The New York Times.


34. Batista estava intimamente vinculado a criminosos como Meyer Lansky ou Luigi Trafficante Jr. Seus primeiros contatos com a máfia remontavam à 1933, quando ele se autoproclamou coronel e Charles “Lucky” Luciano e Santo Trafficante sênior se aproximaram dele. O mundo do jogo, altamente lucrativo, estava controlado por Lansky, número dois da máfia estadunidense, um dos principais gângsteres dos Estados Unidos”, que “tinha criado para o ditador Batista a organização atual dos jogos de Havana”, de acordo com o jornal francês Le Monde.


35.  Os Estados Unidos e os partidários do antigo regime apresentam ainda a Cuba de Batista como “a vitrine da América Latina” da época. A realidade é sensivelmente diferente. As estatísticas do Banco Nacional de Cuba estão disponíveis para esse período e é possível comparar a situação econômica sob o governo democrático do presidente Carlos Prío Socarrás e sob o regime militar de Batista. Assim, entre 1951 e 1952, o PIB cubano aumentou 2,52%. De 1952 a 1953, sob Batista, o PIB caiu 11,41%, com um aumento de apenas 0,9%, de 1953 a 1954, e de 3,5%, de 1954 a 1955. Apenas em 1956 o PIB voltou a alcançar o nível de 1952, com 2,4  bilhões de pesos. Assim, é impossível falar de crescimento econômico entre 1952 a 1956. Durante dois terços do reinado de Batista não houve crescimento. A melhora só aconteceu a partir de 1957, quando o PIB alcançou a cifra de 2,8  bilhões de pesos e, em 1958, voltou a baixar para 2,6  bilhões.


36. Além disso, as reservas monetária caíram de 448 milhões de pesos, em 1952, para 373 milhões em 1958, os quais foram roubados durante a fuga de Batista e de seus cúmplices no dia 1 de janeiro de 1959. A dívida da nação passou de 300 milhões de dólares, em março de 1952, para 1,3 bilhão em janeiro de 1959, e o déficit orçamentário alcançou os 800 milhões de dólares.
Entrevista com Fulgencio Batista:


37. A política açucareira de Batista foi um fracasso. Enquanto esse setor gerava entradas na casa dos 623 milhões de pesos em 1952, o montante baixou para 383, 5 milhões em 1953, 412,8 milhões em 1954, 402,1 milhões em 1955, 426,1 milhões em 1956 e 520,7 milhões em 1958. Somente o ano de 1957 gerou mais ingressou que 1952, com 630,8 milhões de pesos.


38. Os trabalhadores e empregados agrícolas pagaram o preço. Enquanto sua remuneração subia para 224.99 milhões de pesos em 1952, caiu para 127,7 milhões em 1953, 128,2 milhões em 1954, 118,9 milhões em 1955, 127 milhões em 1956, 175,3 milhões em 1957, 123,5 milhões em 1955, 114,6 milhões em 1956, 145,7 milhões em 1957 e 141,8 milhões em 1958. No governo de Batista, os trabalhadores e empregados não agrícolas nunca chegaram ao nível de renda de 1952.


39.  Mesmo assim, o regime de Batista se beneficiou da ajuda econômica estadunidense como nunca. Os investimentos estadunidenses em Cuba passaram de 657 milhões de dólares em 1950, no governo de Carlos Prío Socarrás, para mais de 1 bilhão de dólares em 1958.


40. O professor estadunidense Louis A. Pérez Jr. aponta que, “na realidade, a renda per capita em Cuba, em 1958, era mais ou menos semelhante a de 1947.”


41. Um estudo realizado pelo Conselho Nacional de Economia dos Estados Unidos, entre maio e 1956 e junho de 1957, publicado em um relatório intitulado Investment in Cuba. Basic Information for the United States Busing Department of Commerce, o número de desempregados era 650 mil na metade do ano, isto é, cerca de 35% da população ativa. Destes, 450 mil eram desempregados permanentes. Entre os 1,4 milhão de trabalhadores, cerca de 62% recebia um salário inferior a 75 pesos mensais. De acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, “no campo, o número de desocupados aumentava a cada safra açucareira e podia superar os 20% da mão de obra, isto é, entre 400 e 500 mil pessoas”. A renda anual do jornaleiro não passava dos 300 dólares.


42. Cerca de 60% dos camponeses viviam em barracos com teto de palha e piso de terra, desprovidos de banheiros ou água corrente. Cerca de 90% não tinham eletricidade. Cerca de 85% destes barracos tinham um ou dois ambientes para toda a família. Somente 11% dos camponeses consumiam leite, 4% carne, 2% ovos. 43% eram analfabetos e 44% nunca tinham ido para a escola. O jornal The New York Times ressalta que “a grande maioria deles nas zonas rurais – guajiros ou camponeses – vivem na miséria, em nível de subsistência.”


43. Segundo o economista inglês Dudley Seers, a situação em 1958 era “intolerável. O que era intolerável era a taxa de desemprego três vezes mais elevada que nos Estados Unidos. Por outro lado, no campo, as condições sociais eram malíssimas. Cerca de um terço da nação vivia na sujeira, comendo arroz feijão, banana e salada (quase nunca carne, peixe, ovos ou leite), vivendo em barracos, normalmente sem eletricidade nem latrinas, vítimas de doenças parasitárias, e não se beneficiavam de um serviço de saúde. A situação dos pobres, instalados em barracos provisórios em terras coletivas, era particularmente difícil [...]. Uma importante proporção da população urbana também era muito miserável”.


44. O presidente John F. Kennedy também se expressou a respeito: “Penso que não existe um país no mundo, incluindo os países sob domínio colonial, onde a colonização econômica, a humilhação e a exploração foram piores que as que aconteceram em Cuba, devido à política do meu país, durante o regime de Batista. Nos negamos a ajudar Cuba em sua desesperada necessidade de progresso econômico. Em 1953, a família cubana média tinha uma renda de 6 dólares semanais [...]. Este nível abismal piorou à medida que a população crescia. Mas, em vez de estender uma mão amistosa ao povo desesperado de Cuba, quase toda a nossa ajuda tomava forma de assistência militar – assistência que simplesmente reforçou a ditadura de Batista [gerando] o sentimento crescente de que os Estados Unidos eram indiferentes às aspirações cubanas a uma vida decente.”


45. Arthur M. Schlesinger, Jr., assessor pessoal do presidente Kennedy, se lembrou de uma estadia na capital cubana e testemunhou: “Eu adorava Havana e me horrorizou a maneira como esta adorável cidade tinha se transformado desgraçadamente em um grande cassino e prostíbulo para os homens de negócios norte-americanos [...]. Meus compatriotas caminhavam pelas ruas, se deitavam com garotas cubanas de 14 anos e jogavam fora moedas só pelo prazer de ver os homens chafurdando no esgoto para recolhê-las. É de se questionar como os cubanos – vendo essa realidade – poderiam ver os Estados Unidos de outro modo a não ser com ódio.”


46. Contrariamente às práticas do Exército governamental, os revolucionários davam uma grande importância ao respeito da vida dos prisioneiros. A respeito, Fidel Castro conta: “Na nossa guerra de liberação nacional, não houve um único caso sequer de prisioneiro torturado, nem mesmo quando poderíamos ter usado como pretexto a necessidade de conseguir alguma informação militar para salvar a nossa própria tropa ou para ganhar uma batalha. Não houve um só caso. Tivemos centenas de prisioneiros, depois milhares, antes do fim da guerra; era possível procurar os nomes de todos e não houve um único caso entre essas centenas, estes milhares de prisioneiros que tenha sofrido uma humilhação, ou sequer um insulto. Quase sempre púnhamos estes prisioneiros em liberdade. Isso nos ajudou a ganhar a guerra, porque nos deu um grau de autoridade frente aos soldados do inimigo. Confiavam em nós. No começo, ninguém se rendia; no final, se rendiam em massa”. O New York Times também aludiu ao bom tratamento reservado aos soldados presos: “É o tipo de conduta que ajudou ao Sr. Castro a ter uma importância tão extraordinária no coração e no espírito dos cubanos.”


47.  O embaixador Smith resumiu as razões do apoio dos Estados Unidos a Batista: “O governo de Batista é ditatorial e pensamos que não tem o apoio da maioria do povo de Cuba. Mas o governo de Cuba tem sido um governo amistoso em relação aos Estados Unidos e tem seguido um política econômica em geral sã, que tem beneficiado os investidores estadunidenses. Tem sido um partidário leal das políticas dos Estados Unidos nos foros internacionais.”


48. O jornalista estadunidense Jules Dubois, um dos maiores especialistas da realidade cubana da época, descreveu com Herbert L. Matthews o regime de Batista: “Batista voltou ao poder no dia 10 de março de 1952 e começou então a etapa mais sangrenta da história cubana desde a guerra da independência, quase um século antes. As represálias das forças repressivas de Batista custaram a vida a numerosos presos políticos. Para cada bomba que explodia, tiravam dois presos da cela e os executavam de maneira sumária. Uma noite em Marianao , um bairro de Havana, os corpos de 98 presos foram espalhados pelas ruas, crivados de balas.”


49. O presidente Kennedy também denunciou a brutalidade do regime: “Há dois anos, em setembro de 1958, um grupo de rebeldes barbudos desceu das montanhas de Sierra Maestra, em Cuba, e começou sua marcha até Havana, uma marcha que finalmente derrubou a ditadura brutal, sangrenta e despótica de Fulgencio Batista [...]. Nosso fracasso mais desastroso foi a decisão de dar status e apoio a uma das mais sangrentas e repressivas ditaturas na longa história da repressão latino-americana. Fulgencio Batista assassinou 20 mil cubanos em 7 anos – uma proporção maior da população cubana que a proporção de norte-americanos que morreram nas duas guerras mundiais – e transformou a democrática Cuba em uma Estado policial total, destruindo cada liberdade individual.”


50. Apesar das declarações oficiais de neutralidade no conflito cubano, os Estados Unidos deram seu apoio político, econômico e militar a Batista e se opuseram a Fidel Castro. Apesar disso, de seus 20 mil soldados e de sua superioridade material, Batista não pôde vencer uma guerrilha composta de 300 homens armados durante a ofensiva final do verão de 1958. A contraofensiva estratégica lançada por Fidel Castro causou a fuga de Batista para a República Dominicana e o triunfo da Revolução em 1 de janeiro de 1959.


* Salim Lamrani é Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de La Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama Cuba. Les médias face au défi de l’impartialité, Paris, Editions Estrella, 2013, com prólogo de Eduardo Galeano.

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Retirado de Opera Mundi