quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Díaz-Canel, novo vice cubano, deve liderar a transição no país

Miguel Díaz-Canel
 
Nomeado no domingo, dia 24, vice-presidente cubano, Miguel Díaz-Canel tem 52 anos, idade suficiente para acumular bagagem política, mas que lhe dá status de jovem em meio aos octogenários heróis da revolução. É tido como homem de confiança de Fidel e Raul e uma figura de “sólida firmeza ideológica”, como o próprio Raul o define.
 
A opção por um político mais jovem era considerada necessária num regime que há mais de meio século é comandado praticamente pela mesma geração. Raul Castro tem 81 anos e deixou claro que pretende ficar na presidência só até 2018. Com isso, deverá caber a Díaz-Canel, agora número 2 de Cuba, dar seguimento a essa transição.
 
“Sentimos uma confiança serena para entregar às novas gerações a possibilidade de seguir construindo o socialismo”, disse Raul, após apresentar uma série de outros dirigentes mais jovens que vão integrar a cúpula do governo.
 
O presidente cubano ainda elogiou Díaz-Canel e disse que ele é um político adequado para garantir a “continuidade” e a “estabilidade” em caso de qualquer eventualidade na ilha “devido à perda do dirigente máximo”.
 
Para Carlos Eduardo Vidigal, professor do curso de História da Universidade de Brasília (UnB), a mudança tem o sentido de não provocar nenhuma aceleração de uma eventual abertura política. “De forma cuidadosa, foram indicados os elementos mais fiéis ao projeto original do socialismo cubano”, destaca.
 
De caráter institucional, a escolha de Díaz-Canel como vice-presidente é diferente das realizadas por Fidel Castro, que identificava e indicava novos líderes.
 
“Desta vez foi feito um processo passo a passo por meio de políticas institucionais”, afirma Arturo López-Levy, professor de economia e política latino-americana na Universidade de Denver, nos Estados Unidos. “Este momento representa uma mudança de grande magnitude, quer dizer, na alta cúpula do país.”
 
A mudança de gerações começou há cerca de cinco anos, quando quase a totalidade do Conselho de Ministros e dos chamados Comandos Regionais Militares foi renovada.
 
Político de carreira
Díaz-Canel teve uma carreira clássica dentro do Partido Comunista de Cuba (PCC). Chegou a ser líder regional da União dos Jovens Comunistas e entrou no seleto bureau político da legenda por sugestão do próprio Raul Castro, em 2003.
 
Na ocasião, o atual presidente, então ministro das Forças Armadas, elogiou publicamente o político original de Villa Clara, localizada no centro da ilha, como um “jovem companheiro” e de “sólida firmeza ideológica”.
 
Em 2009, ele foi nomeado ministro da Educação Superior, cargo que deixou em março de 2012 para ocupar uma das vice-presidências do Conselho de Ministros, o órgão executivo máximo da ilha.
 
Fidel e Raul na Assembleia Nacional.
As especulações sobre a ascensão de Díaz-Canel cresceram nos últimos meses: ele havia aumentado suas aparições públicas na ilha e recentemente foi visto ao lado de Raul Castro na cúpula entre a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia, em Santiago do Chile.
 
Engenheiro eletrônico de formação, Díaz-Canel não demonstrou até agora grandes dotes de orador e não chama a atenção pelo carisma ou pela liderança política, mas pela lealdade. Seu alinhamento sem fissuras com o governo comunista da ilha parece sólido.
 
Para López-Levy, Díaz-Canel tem força suficiente para assumir a função e possui dois aspectos positivos: tem 30 anos de vida política dentro do PCC e participou de diversas etapas do processo político cubano.
 
“Ele não tem por que ser neste momento um líder contagiante como Fidel Castro. Líderes carismáticos são resultados de momentos históricos carismáticos. Ele tem carisma suficiente para assumir a função”, frisou.
 
O novo homem forte do governo vai substituir José Ramón Machado Ventura, de 82 anos, que participou da Revolução Cubana. Segundo a lógica da ilha caribenha, Díaz-Canel aparece como o candidato com maior probabilidade de suceder, dentro de meia década, o atual presidente Raul Castro.
 
Autor: Fernando Caulyt; revisão: Rafael Plaisant Roldão

Rio de Janeiro: Quinta-feira, dia 28, ato em homenagem a José Martí

A Associação Cultural José Martí/RJ e o gabinete do vereador Brizola Neto realizam, na quinta-feira, 28 de fevereiro, a partir das 18 horas, ato comemorativo em homenagem a José Martí, o “Apóstolo da Independência de Cuba”.
 
Na oportunidade, haverá palestra do cônsul Lázaro Mendes sobre a importância de Martí para a Revolução Cubana.
 
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 2532-0557.
 
 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Esteban Lazo é eleito novo presidente do Parlamento cubano

Esteban Lazo Hernandez (dir.) foi eleito presidente da Assembleia Nacional de Cuba. Foto: EFE
Esteban Lazo Hernandez, até agora um dos vice-presidentes do Conselho de Estado de Cuba, foi eleito no domingo, dia 24, presidente da Assembleia Nacional cubana (Parlamento Unicameral), substituindo Ricardo Alarcón, que ocupou esse posto durante 20 anos.
 
Lazo Hernandez, 69 anos, é um dos homens fortes do Partido Comunista de Cuba (PCC) e membro da cúpula política da entidade e de seu secretariado, onde cuida da área de estudo político. Sua designação aconteceu na sessão da Assembleia Nacional de Cuba, que também ratificou Raul Castro como presidente do país.
Os deputados da assembleia cubana reelegeram, ainda, Ana Maria Mari Machado como vice-presidente do Parlamento e a Miriam Brito como secretária, cargos para os quais foram eleitas no mandato passado.
 
Assim, a Assembleia Nacional de Cuba confirma o substituto em sua presidência e Esteban Lazo se torna o sexto presidente da história da instituição.
 
Lazo substitui o importante dirigente Ricardo Alarcón, que presidia a assembleia cubana desde 1993 e que agora se dedicará à campanha pela libertação dos 5 heróis cubanos condenados por atividades antiterroristas nos Estados Unidos, segundo disse recentemente.
 
Esteban Lazo, nascido em Jovellanos em 26 de fevereiro de 1944 em uma família camponesa extremamente pobre, é um dos políticos negros que chegaram mais alto até hoje na direção do país.
 
Fidel compareceu à sessão da Assembleia Nacional, que reelegeu Raul presidente de Cuba.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Revalidação de diplomas cubanos será discutida em audiência no Senado

A Elam já formou dezenas de brasileiros que não podem exercer a profissão no País.
 
O senador Inácio Arruda reuniu-se na quarta-feira, dia 19, com a presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Luana Bonone, e o diretor de Avaliação da Capes, Lívio Amaral, para discutir a revalidação para diplomas de cursos estrangeiros no País. O projeto de lei que trata da questão será discutido em audiência pública no Senado Federal.
 
“Faz-se necessário ampliar o debate sobre o processo de revalidação dos diplomas tanto no âmbito do Mercosul quanto no nacional. A matéria é muito complexa para ser aprovada sem o debate com todos os segmentos envolvidos. A realização de audiência pública sobre a temática é muito importante para também contemplar as discussões já acumuladas”, destacou Inácio.
 
O projeto de lei, de autoria do senador Roberto Requião (PMDB/PR), revalida e reconhece diplomas oriundos de cursos de instituições de ensino superior estrangeiras. Na proposta, a questão mais polêmica envolve a revalidação automática de diplomas de cursos de graduação, mestrado ou doutorado expedidos por instituições de educação estrangeiras.
 
A matéria tramita na Comissão de Relações Exteriores e passará ainda pelas Comissões de Assuntos Sociais e Comissão de Educação, Esporte e Cultura, do Senado.
 
Ainda não há data definida para a realização da audiência, mas os nomes dos participantes já estão confirmados. São eles Helena Bonciani Nader, presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); Luana Bonone, presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e Vicente Celestino de França, presidente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos em Instituições Estrangeiras de Ensino Superior (ANPGIEES).
 
Também estão confirmados os nomes de Carlos Estephanio, presidente da Associação Brasileira de Pós-Graduados no Mercosul (ABPós Mercosul);Jorge Almeida Guimarães, presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); José Fernandes de Lima, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE); Marcos Fernando de Oliveira Moraes, presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), e Daniel Iliescu, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

“Juan de los muertos” ganha Prêmio Goya de melhor filme ibero-americano

Com informações do Granma

O filme cubano Juan de los muertos, do cineasta Alejandro Brugués, ganhou o Prêmio Goya de melhor filme ibero-americano, em festa realizada pela Academia de Cinema da Espanha, realizada em Madri.
 
A comédia, que concorria com os filmes Infância clandestina, da Argentina; 7 cajas, do Paraguai, e Después de Lucía, do México, é o segundo filme de Brugués, que fez sua estreia como cineasta com o longa-metragem Personal Belogins.
 
No ato de premiação, o cineasta cubano agradeceu aos membros da academia, que oferece os prêmios. O primeiro lugar da 27ª edição dos Prêmios Goya foi para o filme Blancanieves, dirigido por Pablo Berger, que ganhou dez dos prêmios pelos quais concorria, dentre eles, o de melhor filme.
 
Assista ao trailer de Juan de lós muertos
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Tour de Yoani: Jardins descobrem paixões pró e anti-Cuba

Protestos inviabilizaram a conclusão do evento com a blogueira cubana Yoani Sanchez. Foto: Diego Abrahão/Divulgação.
São Paulo assistiu na quinta-feira, dia 21, a mais um episódio da turnê da blogueira cubana.
 
Quem planejava assistir a um filme, comer pipoca, comprar um livro ou tomar um sorvetinho no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, a principal fronteira do bairro “nobre” dos Jardins com o calor do mundo real, teve a rotina transtornada na noite de quinta quinta-feira, dia 21.
 
Cerca de 50 jovens ativistas, a maioria pertencente à União das Juventudes Socialistas (UJS), e outro grupo menor de militantes da direita, cuja maior parte integrava o grupo Libertários, se confrontavam em um clima tenso, mas pacífico, com cartazes e palavras de ordem, em frente à sala 1 do Cine Livraria Cultura.
 
O motivo? Mais uma vez a blogueira Yoani Sanchez e um dos temas que mais desperta paixões em todas as correntes políticas: Cuba. A dissidente teve uma agenda cheia na quinta: após participar de uma sabatina e uma coletiva de imprensa na sede do jornal O Estado de S.Paulo, na zona norte da capital paulista, e ter gravado uma entrevista para o programa de tevê Roda Viva, da TV Cultura, ela foi convidada para um encontro com blogueiros e uma sabatina aberta para perguntas ao público mediada pela jornalista Barbara Gancia, do jornal Folha de S.Paulo.
 
No entanto, após cerca de 40 minutos do segundo evento, os estudantes socialistas, favoráveis ao regime cubano, conseguiram entrar na sala e começaram a gritar palavras de ordem contra a cubana, provocando a ira de boa parte do público, que compareceu para prestigiar Yoani. Por volta das 20 horas, o evento foi cancelado e a blogueira teve de sair pela mesma forma como entrou: por uma saída alternativa. A sessão de autógrafos de seu livro De Cuba, com carinho (Editora Contexto) também não ocorreu.
 
Privado
A sede do jornal O Estado de S.Paulo foi um dos poucos locais onde a autora do blog Generación Y conseguiu se expressar sem qualquer oposição desde que chegou ao país. Na manhã de quinta, ela repetiu as críticas habituais ao governo cubano e deu sua versão sobre o cotidiano da população daquele país.
 
Depois de ter afirmado que defender o fim do bloqueio dos Estados Unidos à Ilha, criticou a ajuda financeira do governo da Venezuela ao país, até mesmo no setor energético. “Não é que eu goste que nada funcione”, ressaltou, mas diz que esse acordo se baseia “na prolongação de vida de um sistema que está com os dias contados”. E “previu” que a possibilidade da morte do presidente venezuelano Hugo Chavez, por problemas de saúde, já que enfrenta um câncer, poderia antecipar negociações entre cubanos e norte-americanos.
 
Ainda segundo Yoani, não há socialismo em Cuba e nunca houve comunismo. Em sua opinião, o país vive atualmente “um capitalismo de Estado, dominado por um clã familiar onde o patrão é o governo”. E ainda “cobrou” do governo brasileiro e da comunidade internacional uma atitude mais dura contra violações aos direitos humanos em Cuba.
 
Público
Já o encontro no Conjunto Nacional foi em um clima totalmente diferente. Desde as 17h30, os manifestantes pró e contra Yoani gritavam palavras de ordem e cartazes, uns defendendo os irmãos Fidel e Raul Castro, outros criticando o regime.
 
Enquanto um grupo gritava “Cuba, sim, Ianques, não; viva Fidel e a Revolução!” ou “Yoani mente, bloqueio mata!” ou “Doutor, eu não me engano, a Yoani é dos americanos”, o outro exibia cartazes “Socialismo na Cuba dos outros é refresco” ou “Liberdade de expressão (só se eu concordar)” além de gritos como “Livre comércio!”. Eventualmente, alguns se insultavam e apontavam os dedos em riste para outros.
 
No encontro com os blogueiros, Yoani admitiu que pode, em um futuro próximo, encerrar as atividades do blog que a tornou famosa, o Generación Y: “A vida vai mudando, não somos mais os mesmos e após um blog nos tornamos pessoas melhores”.
 
Já na sabatina, a jornalista Barbara Gancia afirmou que não gostaria apenas de fazer perguntas fáceis a Yoani e afirmou que tirou um texto de uma página de jornalistas no Facebook que continha “40 perguntas para Yoani Sanchez em sua turnê mundial” e que ela “teria medo de responder” – texto na verdade, publicado pelo jornalista francês Salim Lamrani, originalmente em Opera Mundi. “São perguntas que eu, como uma reacionária, não iria fazer pra você, mas não quero tornar sua vida fácil. Mas algumas delas são banais. Por exemplo, o que interessa saber o quanto ela ganha do [jornal espanhol] El País?”.
 
Yoani chegou a explicar parcialmente as questões sobre os nomes que patrocinavam sua turnê e que faziam suas traduções para 18 línguas. Também chegou a dizer que pretendia, no futuro, fundar um jornal no país. Porém, com apenas 20 minutos de exposição, cerca de 20 manifestantes pró-Cuba entraram no auditório e começaram a protestar e chamá-la de “mercenária” e agente da CIA.
 
Gancia, que no início da sabatina havia prometido mostrar que, “ao contrário dos últimos dias, [os brasileiros] têm educação”, pediu sem sucesso que os manifestantes se acalmassem e alegou que suas perguntas seriam respondidas, bastava apenas enviá-las por escrito. Os manifestantes aceitaram e, mesmo assim, a confusão continuou.
 
No entanto, depois de Gancia ter dito que usaria um santinho de Yoani, se pudesse, e de uma resposta provocadora da blogueira (questionada sobre a razão de os cubanos não se revoltarem contra o governo, ela respondeu que “muitos dizem que temem sofrer como Yoani”), os gritos não pararam e a sessão foi encerrada.
 
Durante a confusão, uma estudante da esquerda chegou a ser agredida por um dos visitantes anti-Cuba, colocando a mão em sua boca e em sua cabeça. Pouco depois, o evento foi cancelado.
 
Para o presidente nacional da UJS, André Tokarski, não havia intenção de interromper o evento, e os gritos, vaias e aplausos faziam parte da livre manifestação política. “Quem já participou de qualquer debate estudantil sabe que isso faz parte do jogo político e democrático. Não viemos inviabilizar nada. Se ela [Yoani] não quer isso, o que ela espera de uma democracia em Cuba?”, questiona.
 
 

40 perguntas para Yoani Sanchez em sua turnê mundial

No Brasil, ela foi recepcionada, dentre outros, pelos senadores Suplicy, quem diria, e por Aécio Neves, que já era esperado.
Famosa opositora cubana fará seu giro mundial por mais de uma dezena de países do mundo.
 
Salim Lamrani, via Opera Mundi
 
1. Quem organiza e financia sua turnê mundial?
 
2. Em agosto de 2002, depois de se casar com o cidadão alemão chamado Karl G., abandonou Cuba, “uma imensa prisão com muros ideológicos”, para imigrar para a Suíça, uma das nações mais ricas do mundo. Contrariamente a qualquer expectativa, em 2004, decidiu voltar a Cuba, “barco furado prestes a afundar”, onde “seres das sombras, que como vampiros se alimentam de nossa alegria humana, nos introduzem o medo através do golpe, da ameaça, da chantagem”, onde “os bolsos se esvaziavam, a frustração crescia e o medo se estabelecia”. Que razões motivaram esta escolha?
 
3. Segundo os arquivos dos serviços diplomáticos cubanos de Berna, Suíça, e de serviços migratórios da Ilha, você pediu para voltar a Cuba por dificuldades econômicas com as quais se deparou na Suíça. É verdade?
 
4. Como pôde se casar com Karl G. se já estava casada com seu atual marido Reinaldo Escobar?
 
5. Ainda é seu objetivo estabelecer um “capitalismo sui generis” em Cuba?
 
6. Você criou seu blog Geração Y (Generación Y) em 2007. Em 4 de abril de 2008 conseguiu o Prêmio de Jornalismo Ortega e Gasset, de €15 mil, outorgado pelo jornal espanhol El País. Geralmente, este prêmio é dado a jornalistas prestigiados ou a escritores de grande carreira literária. É a primeira vez que uma pessoa com seu perfil o recebe. Você foi selecionada entre 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time (2008). Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores blogs do mundo pela cadeia CNN e pela revista Time (2008), e também conquistou o prêmio espanhol Bitacoras.com, assim como The Bob’s (2008). El País lhe incluiu em sua lista das 100 personalidades hispano-americanas mais influentes do ano 2008. A revista Foreign Policy ainda a incluiu entre os dez intelectuais mais importantes do ano em dezembro de 2008. A revista mexicana Gato Pardo fez o mesmo em 2008. A prestigiosa universidade norte-americana de Columbia lhe concedeu o prêmio Maria Moors Cabot. Como você explica esta avalanche de prêmios, acompanhados de importantes quantias financeiras, em apenas um ano de existência?
 
7. Em que emprega os €250 mil conseguidos graças a estas recompensas, um valor equivalente a mais de 20 anos de salário mínimo em um país como França, quinta potencia mundial, e a 1.488 anos de salário mínimo em Cuba?
 
8. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol), que agrupa os grandes conglomerados midiáticos privados do continente, decidiu nomeá-la vice-presidente regional por Cuba de sua Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação. Qual é seu salário mensal por este cargo?
 
9. Você também é correspondente do jornal espanhol El País. Qual é sua remuneração mensal?
 
10. Quantas entradas de cinema, de teatro, quantos livros, meses de aluguel ou pizzas pode pagar em Cuba com sua renda mensal?
 
11. Como pode pretender representar os cubanos enquanto possui um nível de vida que nenhuma pessoa na Ilha pode se permitir levar?
 
12. O que faz para se conectar à internet se afirma que os cubanos não têm acesso e ela?
 
13. Como é possível que seu blog possa usar Paypal, sistema de pagamento online que nenhum cubano que vive em Cuba pode utilizar por conta das sanções econômicas que proíbem, entre outros, o comércio eletrônico?
 
14. Como pôde dispor de um copyright para seu blog “© 2009 Generación Y – All Rights Reserved”, enquanto nenhum outro blogueiro cubano pode fazer o mesmo por causa das leis do bloqueio?
 
15. Quem se esconde atrás de seu site desdecuba.net, cujo servidor está hospedado na Alemanha pela empresa Cronos AG Regensburg, registrado sob o nome de Josef Biechele, que hospeda também sites de extrema-direita?
 
16. Como pôde fazer seu registro de domínio por meio da empresa norte-americana GoDady, já que isto está formalmente proibido pela legislação sobre as sanções econômicas?
 
17. Seu blog está disponível em pelo menos 18 idiomas (inglês, francês, espanhol, italiano, alemão, português, russo, esloveno, polaco, chinês, japonês, lituano, checo, búlgaro, holandês, finlandês, húngaro, coreano e grego). Nenhum outro site do mundo, inclusive das mais importantes instituições internacionais, como por exemplo as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE ou a União Europeia, dispõem de tantas versões linguísticas. Nem o site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, nem o da CIA dispõem de igual variedade. Quem financia as traduções?
 
18. Como é possível que o site que hospeda seu blog disponha de uma banda com capacidade 60 vezes superior àquela que Cuba dispõe para todos os usuários de internet?
 
19. Quem paga a gestão do fluxo de mais de 14 milhões de visitas mensais?
 
20. Você possui mais de 400 mil seguidores em sua conta no Twitter. Apenas uma centena deles reside em Cuba. Você segue mais de 80 mil pessoas. Você afirma “Twitto por sms sem acesso à web”. Como pode seguir mais de 80 mil pessoas sem ter acesso à internet?
 
21. O site www.followerwonk.com, que permite analisar o perfil dos seguidores de qualquer membro da rede social Twitter, revela a partir de 2010 uma impressionante atividade de sua conta. A partir de junho de 2010, você se inscreveu em mais de 200 contas diferentes do Twitter a cada dia, com picos que podiam alcançar 700 contas em 24 horas. Como pôde realizar tal proeza?
 
22. Por que cerca de seus 50 mil seguidores são na verdade contas fantasmas ou inativas? De fato, dos mais de 400 mil perfis da conta @yoanisanchez, 27.012 são ovos (sem foto) e 20 mil têm características de contas fantasmas com uma atividade inexistente na rede (de zero a três mensagens mandadas desde a criação da conta).
 
23. Como é possível que muitas contas do Twitter não tenham nenhum seguidor, apenas seguem você e tenham emitido mais de 2 mil mensagens? Por acaso seria para criar uma popularidade fictícia? Quem financiou a criação de contas fictícias?
 
24. Em 2011, você publicou 400 mensagens por mês. O preço de uma mensagem em Cuba é de US$1,25. Você gastou US$6 mil por ano com o uso do Twitter. Quem paga por isso?
 
25. Como é possível que o presidente Obama tenha-lhe concedido uma entrevista, enquanto recebe centenas de pedidos dos mais importantes meios de comunicação do mundo?
 
26. Você afirmou publicamente que enviou ao presidente Raul Castro um pedido de entrevista depois das respostas de Barack Obama. No entanto, um documento oficial do chefe da diplomacia norte-americana em Cuba, Jonathan D. Farrar, afirma que você nunca escreveu a Raul Castro: “Ela não esperava uma resposta dele, pois confessou nunca tê-las enviado [as perguntas] ao presidente cubano. Por que mentiu?
 
27. Por que você, tão expressiva em seu blog, oculta seus encontros com diplomáticos norte-americanos em Havana?
 
28. Entre 16 e 22 de setembro de 2010, você se reuniu secretamente em seu apartamento com a subsecretária de Estado norte-americana Bisa Williams durante sua visita a Cuba, como revelam os documentos do WikiLeaks. Por que manteve um manto de silêncio sobre este encontro? De que falaram?
 
29. Michael Parmly, antigo chefe da diplomacia norte-americana em Havana, afirma que se reunia regularmente com você em sua casa, como indicam documentos confidenciais da Sina. Em uma entrevista, ele compartilhou sua preocupação em relação à publicação dos cabos diplomáticos norte-americanos pelo WikiLeaks: “Eu me incomodaria muito se as numerosas conversas que tive com Yoani Sanchez forem publicadas. Ela poderia sofrer as consequências por toda a vida”. A pergunta que imediatamente vem à mente é a seguinte: quais são as razões pelas quais você teria problemas com a justiça cubana se sua atuação, conforme afirma, respeita o marco da legalidade?
 
30. Continua pensando que “muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel Garcia Márquez”?
 
31. Continua pensando que “havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de toda tendência política” sob a ditadura de Fulgêncio Batista entre 1952 e 1958?
 
32. Você declarou em 2010: “O bloqueio tem sido o argumento perfeito do governo cubano para manter a intolerância, o controle e a repressão interna. Se amanhã forem suspensas as sanções, duvido muito que sejam vistos os efeitos”. Continua convencida de que as sanções econômicas não têm nenhum efeito na população cubana?
 
33. Condena a imposição de sanções econômicas dos Estados Unidos contra Cuba?
 
34. Condena a política dos Estados Unidos que busca uma mudança de regime em Cuba em nome da democracia, enquanto apoio as piores ditaduras do Oriente Médio?
 
35. Você é a favor da extradição de Luis Posada Carriles, exilado cubano e ex-agente da CIA, responsável por mais de uma centena de assassinatos, que reconheceu publicamente seus crimes e que vive livremente em Miami graças à proteção de Washington?
 
36. Você é a favor da devolução da base naval de Guantânamo que os Estados Unidos ocupam?
 
37. Você é favorável à libertação dos 5 presos políticos cubanos presos nos Estados Unidos desde 1998 por se infiltrarem em organizações terroristas do exílio cubano na Florida?
 
38. Em sua opinião, é normal que os Estados Unidos financiem uma oposição interna em Cuba para conseguir “uma mudança de regime”?
 
39. Em sua avaliação, quais são as conquistas da Revolução Cubana?
 
40. Quais interesses se escondem atrás de sua pessoa?
 
Salim Lamrani é doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, professor titular da Université de la Réunion e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos.
 
 
 
Leia também:

Yoani é favor do bloqueio a Cuba e Suplicy lhe dá apoio


Com informações do Conversa Afiada e de Carlos Botelho no YouTube
 
Em debate realizado na cidade de Feira de Santana (BA), na terça-feira, dia 19, a blogueira cubano-americana Yoani Sanchez foi convidada a assinar uma declaração em que atesta ser contra o bloqueio econômico imposto pelos EUA à Cuba a mais de meio século e que defende a libertação dos 5 heróis cubanos presos em solo estadunidense.
 
O desafio foi feito pelo estudante Caio Botelho, militante da União da Juventude Socialista (UJS) e da Associação Cultural José Martí (ACJM), da Bahia, que teve acesso ao microfone após muitos protestos exigindo pluralidade em um evento inicialmente programado apenas para “jogar confete” na blogueira.
 
Caio Botelho entregou o documento e caneta à blogueira para que ela assinasse. Yoani fez um gesto de quem não iria assinar. O jovem avisa a plateia: “Ela não vai assinar.”
 
Em seguida ele pede: “Assina.”
 
Nesse meio tempo, quem vem em socorro da blogueira?
 
Eduardo Matarazzo Suplicy, aquele senador tucano filiado ao PT.
 
Eles se merecem: o senador tucano, a cubana e a Marina.


Vídeo: A ciberguerra imposta pelos EUA a Cuba

“Ciberguerra” é mais capítulo da série As razões de Cuba, que estreou na televisão cubana em 21 de março de 2011. O capítulo expõe novas formas de dominação dos EUA e seu ataque constante contra o povo e a Revolução Cubana, com o uso das novas tecnologias.