quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Díaz-Canel, novo vice cubano, deve liderar a transição no país

Miguel Díaz-Canel
 
Nomeado no domingo, dia 24, vice-presidente cubano, Miguel Díaz-Canel tem 52 anos, idade suficiente para acumular bagagem política, mas que lhe dá status de jovem em meio aos octogenários heróis da revolução. É tido como homem de confiança de Fidel e Raul e uma figura de “sólida firmeza ideológica”, como o próprio Raul o define.
 
A opção por um político mais jovem era considerada necessária num regime que há mais de meio século é comandado praticamente pela mesma geração. Raul Castro tem 81 anos e deixou claro que pretende ficar na presidência só até 2018. Com isso, deverá caber a Díaz-Canel, agora número 2 de Cuba, dar seguimento a essa transição.
 
“Sentimos uma confiança serena para entregar às novas gerações a possibilidade de seguir construindo o socialismo”, disse Raul, após apresentar uma série de outros dirigentes mais jovens que vão integrar a cúpula do governo.
 
O presidente cubano ainda elogiou Díaz-Canel e disse que ele é um político adequado para garantir a “continuidade” e a “estabilidade” em caso de qualquer eventualidade na ilha “devido à perda do dirigente máximo”.
 
Para Carlos Eduardo Vidigal, professor do curso de História da Universidade de Brasília (UnB), a mudança tem o sentido de não provocar nenhuma aceleração de uma eventual abertura política. “De forma cuidadosa, foram indicados os elementos mais fiéis ao projeto original do socialismo cubano”, destaca.
 
De caráter institucional, a escolha de Díaz-Canel como vice-presidente é diferente das realizadas por Fidel Castro, que identificava e indicava novos líderes.
 
“Desta vez foi feito um processo passo a passo por meio de políticas institucionais”, afirma Arturo López-Levy, professor de economia e política latino-americana na Universidade de Denver, nos Estados Unidos. “Este momento representa uma mudança de grande magnitude, quer dizer, na alta cúpula do país.”
 
A mudança de gerações começou há cerca de cinco anos, quando quase a totalidade do Conselho de Ministros e dos chamados Comandos Regionais Militares foi renovada.
 
Político de carreira
Díaz-Canel teve uma carreira clássica dentro do Partido Comunista de Cuba (PCC). Chegou a ser líder regional da União dos Jovens Comunistas e entrou no seleto bureau político da legenda por sugestão do próprio Raul Castro, em 2003.
 
Na ocasião, o atual presidente, então ministro das Forças Armadas, elogiou publicamente o político original de Villa Clara, localizada no centro da ilha, como um “jovem companheiro” e de “sólida firmeza ideológica”.
 
Em 2009, ele foi nomeado ministro da Educação Superior, cargo que deixou em março de 2012 para ocupar uma das vice-presidências do Conselho de Ministros, o órgão executivo máximo da ilha.
 
Fidel e Raul na Assembleia Nacional.
As especulações sobre a ascensão de Díaz-Canel cresceram nos últimos meses: ele havia aumentado suas aparições públicas na ilha e recentemente foi visto ao lado de Raul Castro na cúpula entre a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia, em Santiago do Chile.
 
Engenheiro eletrônico de formação, Díaz-Canel não demonstrou até agora grandes dotes de orador e não chama a atenção pelo carisma ou pela liderança política, mas pela lealdade. Seu alinhamento sem fissuras com o governo comunista da ilha parece sólido.
 
Para López-Levy, Díaz-Canel tem força suficiente para assumir a função e possui dois aspectos positivos: tem 30 anos de vida política dentro do PCC e participou de diversas etapas do processo político cubano.
 
“Ele não tem por que ser neste momento um líder contagiante como Fidel Castro. Líderes carismáticos são resultados de momentos históricos carismáticos. Ele tem carisma suficiente para assumir a função”, frisou.
 
O novo homem forte do governo vai substituir José Ramón Machado Ventura, de 82 anos, que participou da Revolução Cubana. Segundo a lógica da ilha caribenha, Díaz-Canel aparece como o candidato com maior probabilidade de suceder, dentro de meia década, o atual presidente Raul Castro.
 
Autor: Fernando Caulyt; revisão: Rafael Plaisant Roldão

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