quinta-feira, 25 de abril de 2013

Foz do Iguaçu: De 13 a 15 de junho, será realizada a 21ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

 
Com a organização da Associação Cultural José Martí do Paraná, da seção paranaense do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e da seção brasileira do Instituto Cubano de Amizades com os Povos (ICAP), ocorrerá de 13 a 15 de junho, em Foz do Iguaçu (PR), a 21ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba.
 
É a primeira vez que a convenção será realizada no Paraná e também é a primeira vez fora de uma capital. As duas últimas convenções de solidariedade a Cuba aconteceram em 2011 em São Paulo (SP) e em 2012 em Salvador (BA) com grande sucesso.
 
No evento serão abordados temas como formas de solidariedade ao povo cubano; a campanha midiática internacional contra Cuba; a luta pela libertação dos Cinco heróis presos nos EUA; a luta contra o bloqueio econômico e financeiro a Cuba; a organização das Brigadas Internacionais para Cuba; e o fechamento da base militar de Guantânamo.
 
A Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba tem seu sítio oficial (clique aqui). Os interessados em participar do evento podem fazer sua inscrição, saber onde hospedar (com duas opões, incluindo uma hospedagem solidária) e ainda ter mais informações sobre o evento.
 
Participe e divulgue.

Morre Alfredo Guevara, presidente do Festival de Cinema Latino-Americano de Havana

 
Alfredo Guevara, diretor do Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana e glória da cultura nacional, morreu na manhã de sexta-feira, dia 19, em Havana, vítima de um ataque cardíaco, noticiou o sítio Cuba Debate.
 
Guevara, doutor em Filosofia e Letras pela Universidade de Havana, foi o criador e presidente fundador do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic), em março de 1959.
 
Dentre os vários prêmios que ele recebeu, estão a Ordem Félix Varela de Primeiro Grau, o mais alto reconhecimento da cultura cubana e, em março de 2009, recebeu das mãos do presidente Raul Castro a Ordem José Martí, a mais alta distinção do Estado cubano.
 
Alfredo Guevara participou ativamente em manifestações estudantis e da luta contra a ditadura de Batista. Na época, sofreu perseguição e acabou preso. Na década de 1950, cursou direção de teatro e foi um dos fundadores do Grupo de Teatro da Sociedade Cultural Nosso Tempo. Em 1955, ele participou, junto com o cineasta Júlio Garcia Espinosa e outros artistas em El Mégano, documentário considerado o precursor do Novo Cinema Cubano. Trabalhou como assistente de produção de Manuel Barbachano, que implementou os curta-metragens do Cine Verdad. Em 1958, ele foi assistente de direção de Luis Buñuel no filme Nazarín.
 
Com a criação do Ministério da Cultura em 1975, foi nomeado vice-ministro. Como presidente do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficas, criou a Cinemateca de Cuba, o jornal ICAIC Latino-Americano, a revista Cine Cubano, o grupo experimental ICAIC Sonora, além de ser um dos principais promotores do movimento de arte cubano, que revolucionou o design dos cartazes dos filmes.
 
Alfredo, ao lado de outras grandes figuras, fundou o Novo Cinema Latino-Americano, foi organizador dos festivais, membro de honra da Comissão dos Cineastas Latino-Americanos e do Conselho Superior da Fundação do Novo Cinema Latino-americano.
 
Desde 1968, era consultor da Unesco para assuntos relacionados à política cultural. Ele era professor emérito do Instituto de Artes, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa em arte. Em 2008 ele recebeu o Prêmio da Latinidade, por sua contribuição para a cultura nacional e os seus esforços para promover o desenvolvimento e difusão de cinema da América Latina e Caribe.
 
Cuba Debate publicou uma entrevista realizada pelo escritor Amaury Pérez intitulada “Eu sou um profissional da esperança”. Hoje lembramos a nossos leitores como um sinal de luto e homenagem a seu extraordinário legado à cultura nacional.
 
Alfredo Guevara nasceu em 31 de dezembro de 1925 e, por vontade expressa, seu corpo foi cremado.
 
Artigos de Alfredo Guevara em Cuba Debate.

1961: A CIA e o fracasso da invasão na Baía dos Porcos

Fidel Castro durante a invasão da Baía dos Porcos.
No dia 17 de abril de 1961, a agência de notícias UPI divulgou ter recebido uma nota do embaixador argentino em Cuba, Júlio Amoedo, sobre uma força invasora que havia desembarcado no sul da Ilha dirigida por Fidel Castro.
 
 
De acordo com um relatório divulgado em Washington, em 22 de fevereiro de 1998, pelo Arquivo Nacional de Segurança dos EUA, a operação militar havia começado a ser planejada pela Agência Central de Inteligência (CIA) em agosto de 1959, por ordem do presidente Dwight Eisenhower. A ideia inicial era preparar exilados cubanos para se infiltrarem em Cuba e organizarem uma dissidência anticastrista. Para tanto, a CIA lançou, em março de 1960, seu Programa de Ação Encoberta Contra o Regime de Castro, com um orçamento previsto de US$4,4 milhões.
 
O documento de 150 páginas – escrito em fins de 1960 pelo almirante Lyman Kirkpatrick – revela que, em setembro de 1960, passou a dominar a ideia de um ataque armado. A CIA estava convencida de que poderia derrubar Fidel Castro, da mesma forma como havia deposto o governo reformista de Jacobo Arbenz, na Guatemala, em 1954. A agência de espionagem garantia que o povo cubano, farto de entrar em filas, esperava um sinal de rebelião. O objetivo estratégico dos EUA, no entanto, era conter um alastramento do comunismo na América Latina.
 
Rebelião interna simulada
Para executar a invasão, exilados cubanos e herdeiros das empresas norte-americanas nacionalizadas pelo governo de Fidel Castro formaram o Exército Cubano de Libertação, com armamentos norte-americanos e bases de treinamento no Panamá e na Guatemala. Para simular uma rebelião interna do exército cubano, os aviões dos EUA envolvidos na invasão foram camuflados com a estrela da força aérea de Cuba.
 
Atrás da chuva de panfletos e dos bombardeios, cerca de 1.400 homens invadiram os pântanos da Playa Girón, conhecida como Baía dos Porcos, no dia 17 de abril de 1961. Três dias depois, eles estavam derrotados. Segundo o governo cubano, 176 pessoas morreram nos combates, mais de 300 ficaram feridas e 50 incapacitadas para toda a vida.
 
Má execução do plano leva a fracasso
Em 1998, o governo norte-americano admitiu que a operação Baía dos Porcos estivesse condenada ao fracasso desde o começo. A tentativa de derrubar Fidel Castro teria sido “ridícula, trágica ou ambas as coisas”. A principal causa do fracasso teria sido sua má execução e não o fato de o presidente John Kennedy não ter autorizado o apoio da Força Aérea dos EUA aos invasores, como afirmaram durante anos os exilados cubanos e os adversários políticos de Kennedy.
 

Playa Girón, 52 anos de uma epopeia

No dia 16 de abril de 1961, Cuba amanheceu de luto. No dia anterior aviões estadunidenses haviam avançado contra os principais aeroportos militares do país e, no intento de desarmar a força aérea cubana, tiraram a vida de civis e combatentes. O objetivo dos bombardeios estava claro: abrir o caminho para a invasão do dia seguinte.
 
Assim, na manhã de 17 de abril, tropas mercenárias desembarcaram ao sul da província de Matanzas, em Playa Girón. A invasão mercenária, preparada pelos Estados Unidos, tinha como objetivo estabelecer uma tomada da praia e constituir ali um governo provisório contrarrevolucionário, o qual solicitaria e conseguiria apoio do governo ianque e de organismos lacaios como a Organização dos Estados Americanos (OEA).
 
Sob a direção do comandante em chefe Fidel Castro, as unidades de milícias e das Forças Armadas Revolucionárias, começaram suas ações e detiveram o desembarque da brigada invasora, integrada por 1.500 homens armados com tanques, canhões, morteiros, bazucas e abundante material bélico.
 
Para muitos dos cubanos, que participaram desta epopeia, foi esse seu batismo de fogo, pois em sua maioria eram jovens inexperientes na arte militar, somente com a convicção de defender a nascente Revolução, nem mesmo o medo de perder a vida, o mais valorizado para muitos, foi mais forte que o desejo de conservar a Pátria que renascia.
 
Em apenas 72 horas, as tropas cubanas conseguiram a rendição dos invasores. Assim, pela primeira vez, os Estados Unidos, a grande potência militar, haviam sido derrotados. Passados mais de 50 anos, aquela derrota ainda pesa sobre ombros dos estadunidenses, que continuam apostando na mesma fórmula intimidadora para dominar o restante do mundo.
 
Girón foi uma página triste na história de Cuba, pelas dezenas de homens e mulheres aos quais o imperialismo lhes negou a vida, mas, também, significou o compromisso dos cubanos com sua Revolução e algo de que se começava a falar fazia somente alguns dias: Socialismo.
 
Esta epopeia teve um grande significado, expressado por nosso comandante em chefe, no 25º aniversário da Vitória de Girón: “[…] a grande transcendência histórica de Girón não é o que aconteceu, mas sim o que não aconteceu graças a Girón.”