quinta-feira, 9 de maio de 2013

FIT 2013: Cuba investe no turista brasileiro

Gastão Vieira, ministro do Turismo brasileiro, na abertura da FIT 2013.
Por Jaime Sautchuk e José Reinaldo Carvalho, enviados a Cuba
 
Atrair o turista brasileiro. Este é o mote da Feira Internacional de Turismo (FIT) aberta na terça-feira, dia 7, em Varadero, Cuba, com a presença de representantes de 53 países. O Brasil participa do evento com uma grande delegação, chefiada pelo ministro do Turismo, Gastão Vieira.
 
O ministro brasileiro falou logo na abertura do evento, juntamente com seu colega de Cuba, Manuel Marrero Cruz, e o diretor da Organização Mundial do Turismo (OMT), Carlos Vogeler. Os três ressaltaram a crescente importância do turismo no mundo de hoje, especialmente para países que, como Cuba, dependem bastante dessa atividade econômica.
 
O ministro cubano Manuel Cruz anunciou a abertura de um escritório da Empresa Cubana de Turismo no Brasil, em junho deste ano. Ao mesmo tempo, vai ocorrer a retomada dos voos da Cubana de Aviação, inicialmente na rota São Paulo–Havana. O objetivo é facilitar e baratear o acesso do turista brasileiro àquele país.
 
A delegação brasileira ao FIT 2013 tem a participação de mais de 70 empresários do setor, a maioria donos de agências de viagens e de hotéis, além de representantes de governos estaduais e municipais e perto de 40 jornalistas de várias partes do país.
 
A secretária estadual de Turismo do Rio Grande do Sul, Abigail Pereira, por exemplo, disse que, para seu estado, é importante marcar presença em evento como este. “É uma oportunidade que temos de mostrar nossa diversidade para o resto do mundo”, disse ela.
 
Já o empresário Antônio Salani, diretor do Sindicato de Bares, Hotéis e Similares de São Paulo, acredita que Cuba tem muito a mostrar aos brasileiros. “O Brasil dá um grande passo, pois Cuba tem laços históricos conosco e desfruta da admiração dos brasileiros, pois nos mostra uma maneira diferente de se viver”, argumenta.
 
O jornalista Francisco das Chagas Leite Filho, do portal Café na Política, de Brasília, acredita que a aproximação com Cuba no campo do turismo tem uma dimensão bem maior. Segundo ele, isso “faz parte do processo de integração latino-americana, da vontade de nossos povos se conhecerem melhor”.
 
Em verdade, as relações comerciais Brasil–Cuba têm crescido bastante nos últimos anos. Para o Brasil, a indústria farmacêutica cubana é importante parceira da área de medicamentos. Uma empresa brasileira acaba de selar um acordo com os produtores cubanos para a fabricação conjunta de vacinas para dengue e malária, cuja tecnologia eles dominam.
 
Dados apresentados pelo ministro Gastão Vieira dão conta de que as exportações brasileiras para Cuba superaram US$500 milhão no ano passado, mas tendem a aumentar rapidamente. Dois flancos abertos para esse avanço são os da construção civil e de transportes públicos.
 
No setor de turismo, o representante da OMT apresentou informações sobre profundas mudanças nas relações mundiais. A começar pelo fato de que, em 2012, a China superou os Estados Unidos como principal origem dos turistas que viajam pelo mundo. E, por outro lado, a Europa Ocidental vem perdendo terreno como principal polo de atração de viajantes, devido à crise econômica que atingiu a região.
 
Cuba aposta nessas mudanças. E acredita que pode atrair a classe média brasileira, competindo até mesmo com o turismo interno no Brasil. Para isso, joga com o fator custo. Ou seja, fica bem mais barato para um turista de São Paulo, por exemplo, passar férias em praias cubanas do que nas do Nordeste brasileiro.
 
Uma jornalista brasileira que cobre o evento comprova esse fato com experiência própria. Ao comemorar os dez anos de casamento, no final do ano passado, ela e seu marido fizeram orçamentos para irem de Brasília a Fortaleza (CE) ou a Cuba. E passaram sete dias em Cuba pela metade do valor que custaria a viagem ao Ceará.
 
O turismo tem hoje um peso de mais de 20% na composição do Produto Interno Bruto (PIB) de Cuba. Para efeito de comparação, em 2012, o setor teve peso de 3,7% no PIB brasileiro. Mas o Brasil não está satisfeito com isso, pois seu potencial é muito maior. Na Itália, que tem economia de dimensões parecidas, essa cifra é de 15%.
 
O ministro Vieira lembrou em sua fala que o Plano Nacional de Turismo, lançado recentemente pela presidente Dilma Rousseff, tem metas bem mais ousadas. “Pretendemos ser a terceira maior economia turística do mundo em 2022”, afirmou ele. Mas ressaltou, parodiando o compositor Milton Nascimento, que “o avião que leva gente é o mesmo que traz”.

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