terça-feira, 30 de julho de 2013

Cuba avança na consolidação do socialismo, diz vice-presidente.

Fonte: CORREIO DO BRASIL
 
O socialismo em Cuba avança para a consolidação e a ilha continuará como exemplo de solidariedade, assegurou o vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros de Cuba, José Ramon Machado Ventura. O vice-presidente manteve um encontro com o que na ilha se chama de cooperadores, que atuam em diversos setores da saúde, com os quais comentou os mais recentes acontecimentos relacionados com as comemorações do Dia da Rebeldia Nacional, em 26 de julho.

Ele ressaltou os inúmeros gestos de solidariedade de Cuba com o resto dos países da região e do mundo. É evidente a recuperação da província de Santiago de Cuba, assolada pelo furacão Sandy, afirmou, e ressaltou a cooperação do Corpo de Engenheiros das Forças Armadas do Equador que cooperam ali com a construção de novas habitações e a reparação das instalações universitárias.

Machado Ventura assinalou que as transformações econômicas que ocorrem em Cuba demonstram a consolidação e o fortalecimento da Revolução e o processo de construção do socialismo. Para a ilha caribenha se impõe ter um socialismo sustentável, assegurou o vice-presidente cubano.

Leste e Oeste

Na busca por uma maior integração entre os países não alinhados, com vistas à sustentabilidade do socialismo a que se referia o vice-presidente Ventura, dirigentes dos partidos comunistas de Cuba e da Coreia do Norte conversaram em Pyongyang sobre temas de interesse comum, informou a imprensa oficial cubana.

O chefe do Departamento de Relações Internacionais do Partido Comunista de Cuba (PCC), José Ramón Balaguer, e seu colega do Partido do Trabalho da Coreia do Norte, Kim Yong Il, concordaram em ressaltar “o bom estado das relações bilaterais”, segundo a agência cubana de notícias Prensa Latina. Além disso, decidiram fortalecer “os vínculos e ampliar a cooperação entre as duas organizações políticas”, acrescentou. Balaguer viajou para Pyongyang à frente da delegação que assistiu à celebração pelo 60º aniversário do fim da Guerra da Coreia (1950-1953).

A visita do dirigente cubano ocorre no momento em que um navio norte-coreano se encontra retido no Panamá com equipamentos bélicos não declarados procedentes de Cuba, mas a agência cubana não faz menção alguma do incidente em seu relatório. O mercante Chong Chon Gang está desde o dia 15 de julho no porto de Manzanillo, no litoral do Caribe, retido pelas autoridades panamenhas, que encontraram armas ocultas junto com uma carga de 10 mil toneladas de açúcar procedente de Cuba e com destino à Coreia do Norte.

Após a divulgação do caso, o governo cubano reconheceu em uma nota oficial que o navio transportava 240 toneladas métricas de armamento defensivo da ilha, mas em estado “obsoleto”, que seria reparado na Coreia do Norte e depois devolvido a Cuba. Está previsto que pessoal técnico das Nações Unidas chegue ao Panamá no dia 5 de agosto para revistar os equipamentos militares a fim de determinar se foi violada alguma das resoluções do Conselho de Segurança que proíbem a Coreia do Norte de importar ou exportar qualquer tipo de armamento.

A Coreia do Norte reivindicou o navio e seus 35 tripulantes, que permanecem detidos na antiga base aeronaval americana de Sherman, nas margens do mar Caribe, depois de serem indiciados pelo Ministério Público do Panamá sob a acusação de atentar contra a segurança coletiva, segundo informações do país centro-americano.

Retirado de SOLIDÁRIOS

sábado, 27 de julho de 2013

Revolução Cubana continuará jovem, diz Raúl Castro

A Revolução Cubana continuará sendo jovem, afirmou nesta sexta-feira (26), em Havana, o presidente Raúl Castro ao encerrar o ato principal pelos 60 anos do assalto ao Quartel Moncada, que teve a participação de vários governantes latino-americanos e caribenhos.



“Esta continuará sendo a revolução socialista dos humildes, pelos humildes e para os humildes”, destacou o mandatário no mesmo cenário no qual há seis décadas participou do acontecimento histórico comandado por Fidel Castro.

Raúl disse que está em marcha na ilha um processo de transferência paulatina e ordenada às novas gerações das principais responsabilidades de “Mais de 70% da população cubana nasceu após o triunfo da Revolução”, indicou o chefe de Estado.

Foram jovens os que acompanharam Fidel Castro naquele 26 de julho de 1953, disse, e assegurou que as novas gerações de cubanos "continuarão defendendo os ideais revolucionários".

Pareceria um milagre que 60 anos depois estejamos vivos vários dos participantes naqueles acontecimentos sobre os quais se desatou a sede de vingança da ditadura, referiu.

Qualificou de sonhos os ideais que impulsionavam Fidel Castro e seus companheiros, mas evocou que cinco anos, cinco meses e cinco dias depois lhe tocou cumprir a ordem do líder da Revolução de exigir e obter a rendição do quartel Moncada.

Fez uma recontagem histórica do processo revolucionário cubano que, enfatizou, se manteve firme apesar das tentativas de isolar o país e rendê-lo pela fome com o bloqueio imposto por Estados Unidos.

A solidariedade com Cuba expressa o quanto mudou a América Latina desde o assalto ao quartel Moncada, apontou o governante, que teve palavras de agradecimento para os presidentes da Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Uruguai que lhe acompanharam no ato.

Também para os chefes de governo de Dominica, San Vicente e as Granadinas, Antígua e Barbuda e Santa Luzia, que compartilham com Cuba a condição insular e a integração na Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba).

Jamais nos faltou o respaldo dos povos de todos os continentes, em particular desta região, que unida em sua diversidade avança em sua segunda independência, proclamou.

Reconheceu o apoio de vários países para a reconstrução dos danos provocados em Santiago de Cuba pelo furacão Sandy em outubro do passado ano. Não se fez esperar o maior dos apoios recebidos, enviado pelo presidente Hugo Chávez, indicou.

Explicou que estão em marcha programas governamentais que, com a intervenção direta da população, mostram avanços na recuperação de moradias e infraestrutura, particularmente afetadas nesta zona oriental da ilha.

Em seu discurso, de uns 40 minutos, Raúl Castro rendeu homenagem "ao invicto comandante em chefe da revolução bolivariana em Venezuela, discípulo avantajado dos próceres da independência latino-americana e caribenha".

Opinou, também, que o processo bolivariano tem a condução firme do presidente Nicolás Maduro e qualificou de incontrolável a marcha das transformações que ocorrem na Bolívia e Equador.

Retirado de VERMELHO

Vídeo retirado de mobilizacaobr

quinta-feira, 25 de julho de 2013

26 de julho: 60º Aniversário do assalto ao Quartel De Moncada

Moncada: O início da Revolução Cubana
 
A Revolução Cubana começou quando os rebeldes fizeram o Assalto ao Quartel Moncada em Santiago em 26 de julho de 1953.
 
Na sexta-feira, dia 26 de julho, Cuba celebra o Dia da Rebeldia Nacional, a maior festa da Revolução Cubana. Neste dia, em 1953, o jovem advogado Fidel Castro e seu irmão Raul, juntamente com outros revolucionários, partiram para a ação e tentaram pegar de assalto o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, e Carlos Manuel de Céspedes, em Bayamo.
 
O objetivo era tomar o quartel, invadir o paiol de armas e munições, distribuir fuzis pelas ruas para que a população se juntasse aos rebeldes e começasse a insurreição, que culminaria com a derrota do ditador Batista. Na época, o movimento estudantil promovia manifestações contra o governo de Fulgêncio Batista.
 
Às 5:15 da manhã, durante o Carnaval em Santiago de Cuba – que acontece todo final de julho –, começava o grande golpe. Nada, ou quase nada, deu certo. Um grupo, liderado por Raul Castro e integrado por dez homens, ocupou um prédio vizinho, o Palácio da Justiça. Outro, liderado por Abel Santamaria e integrado por 21 homens, ocupou o hospital militar que era outro prédio vizinho, de cujo quintal e das janelas pensava-se dar cobertura a um terceiro grupo comandado pelo líder da ação, Fidel Castro. Justamente este grupo teve problemas.
 
Ao aproximar-se do portão 3 do Quartel de Moncada, o Buick verde que levava Fidel Castro, disfarçado de um comandante militar, foi detido pelos soldados. Começou o tiroteio e a partir daí foi tudo rápido demais para que alguém pudesse entender exatamente o que estava acontecendo. Porém, a invasão ao paiol das armas foi frustrada.
 
Muitos combatentes foram capturados e assassinados. Porém, a intentona marcou o princípio do fim da ditadura de Fulgêncio Batista. Fidel Castro é julgado e condenado a 15 anos de prisão. Por ser advogado, pronuncia sua autodefesa diante do tribunal, que passou a ser conhecida como “A história me absolverá”, frase com a qual conclui sua autodefesa.
 
Fidel e os revolucionários sobreviventes, depois forte campanha popular, conseguiram a anistia e se exilaram no México em 1955. De lá, Fidel Castro reorganizou seus companheiros do ataque a Moncada e outros revolucionários que a eles se uniram, dentre eles o argentino Ernesto “Che” Guevara, e fundaram o Movimento Revolucionário 26 de Julho. Retornaram clandestinamente a Cuba a bordo do iate “Granma”, onde desembarcaram em 2 de dezembro de 1956. A luta armada foi retomada, desta vez na forma de guerrilha nas montanhas de Sierra Maestra. Inicia-se assim a Revolução Cubana que em 1º de janeiro de 1959 triunfaria contra Fulgêncio Batista.
 

Te doy una canción: Viva o 60º aniversário de Moncada
Mauro Iasi, via Portal Boi Tempo Editorial
Martí me habló de la amistad
y creo en él cada día,
aunque la cruda economia
ha dado luz a otra verdad.
Silvio Rodriguez
 
No dia 26 de julho de 1953 acontecia o Assalto ao Quartel Moncada que dava início à Revolução Cubana. Muito já se falou desta incrível experiência e muitas são as preocupações que cercam o atual momento e as perspectivas desta Ilha revolucionária. Hoje quero tratá-la de uma maneira diferente.
 
Evidente que todos nos preocupamos com a situação atual e sabemos que as experiências históricas, por mais valorosas que sejam, não dependem apenas da disposição moral e da decisão política de resistir. Mas falemos um pouco disso, da disposição de seguir em frente, da arte de resistir.
 
Silvio Rodriguez, compositor cubano e um dos protagonistas do movimento chamado “Nova Trova”, tem sido uma voz poética e lúcida desta resistência. Em uma música chamada “El Necio”, Silvio diz:
“Dicen que me arrastarán por sobre rocas
cuando esta revolución se venga abajo,
que machacarán mis manos y mi boca,
que me arrancarán los ojos y el badajo.
Será que la necedad parió conmigo,
la necedad de lo que hoy resulta necio:
la necedad de asumir al enemigo,
la necedad de vivir sin tener précio.
Yo no sé lo que és el destino,
caminando fui lo que fui.
Allá Dios que será divino.
Yo me muero como vivi.”
 
Néscio, como vocês sabem, é alguém estúpido, ignorante. Seremos, então, estúpidos por acreditar naquilo que acreditamos? Logo no começo da mesma canção, Silvio nos conta do assédio daqueles que nos prometem fazer-nos “únicos”, nos garantir um “lugarzinho em seus altares” e para isso nos convidam ao arrependimento, tentam nos convencer a que não percamos a oportunidade, diz o poeta cubano, “me vienen a convidar a que no pierda, me vienen a convidar a indefinirme, me vienen a convidar tanta mierda”.
 
Ele mesmo, na epígrafe que segue a letra no encarte do disco, explica que se trata de uma canção de marketing, de preços e esclarece: “Y para que nadie se imagine que soy santo, voy a poner el mio (précio, por ahora): El levantamiento del bloqueo a Cuba y la entrega incondicional del território cubano que EEUU usa como base naval en Guantánamo”.
 
Há um fator, imponderável, que aqui se apresenta e que é inseparável da experiência da Revolução Cubana: a dignidade. Em tempos como os nossos, de desilusão, de indignação vazia, nada melhor que nos colocarmos diante de um exemplo de dignidade consciente, humanamente intransigente, politicamente convicta. Em outra música que trata do mesmo tema, “El Baile”, Silvio nos fala das armadilhas daqueles que querem nos convencer a participar desta ordem injusta e sanguinária, nos oferecendo as benesses que cabem aos que se rendem – “rondándonos, cercándonos para inmovilizarnos” – e nos alerta:
“No voy, no vas
al juego del disfraz,
corista tú y amor de este arlequín
romántico – al menos hasta el fin –,
imposmodernizable.”
 
Que expressão mais precisa e feliz: “imposmodernizable”. O poeta arranca de seu peito as notas que fazem voar as palavras. Suas trovas nasceram quando ainda era soldado e por isso canta: “Te doy una canción como un disparo”.
 
Em um programa de televisão ao ser entrevistado recebe uma pergunta: “Você se considera um cantor oficialista?”. E Silvio responde: “Veja, se é da Revolução Cubana que estão falando, da Revolução que comandou Fidel e que deram continuidade tanta gente valiosa como foi Raul, Che, Camilo e toda esta gente, se é a isso que estão se referindo, digo: como muita honra, muitíssima honra ser oficialista desta Revolução. Do que eu não gostaria de ser ‘oficialista’ é daqueles que lançam bombas em Iraque ou Afeganistão […] que tentaram invadir Cuba […], isso sim, para mim seria uma desonra e uma vergonha oficiar semelhantes ideias.”
 
Em 2012, por ocasião do 6º Congresso da UJC, tive o prazer de participar de um seminário internacional com representantes de várias organizações de jovens de nossa América Latina. Entre eles estava Hanói Sanches Rodrigues da UJC de Cuba e secretário-geral da FMJD, uma federação mundial de jovens. Em seu depoimento no qual reafirmou a firme decisão da juventude cubana em seguir lutando pela construção do socialismo mesmo diante dos grandes problemas e desafios que se apresentam diante deles, lembrou de tempos difíceis em Cuba, quando estudava e havia grandes cortes de luz e ele e 18 companheiros seguiam estudando à luz de uma pequena lamparina.
 
Nosso comandante, Che Guevara, nos dizia em suas reflexões sobre a economia e a construção do socialismo o seguinte:
 
“O socialismo econômico sem a moral comunista não me interessa”, dizia Che. “Lutamos contra a miséria, mas ao mesmo tempo lutamos contra a alienação. Um dos objetivos fundamentais do marxismo é fazer desaparecer o interesse individual e, também, as motivações psicológicas. Marx se preocupava tanto com os fatos econômicos como sua tradução na mente. Ele chamava isto de ‘fatos de consciência’. Se o comunismo descuida dos fatos de consciência pode até se tornar um método de distribuição, mas deixa de ser uma moral revolucionária.” (Entrevista com Jean Daniel, sob o título La profecia del Che, in Carlos Tablada Perez – Ernesto Che Guevara, hombre y pensamiento: el pensamiento econômico del Che. Buenos Aires, Antarca: 1987, p. 45.)
 
Para nós esta concepção é que fundamenta o poema de Silvio Rodriguez que utilizamos como epígrafe e que diz que “Martí nos hablo de la amistad e creo nel en cada dia, aunque la crud economia ha parido otra verdad”. O próprio Che é que conclui que:
 
“Não se trata de quantas gramas de carne se come ou quantas vezes por ano alguém pode ir à praia, nem de quantas belezas que vem do exterior possam ser compradas com os salários atuais. Trata-se, precisamente, que o indivíduo se sinta mais pleno, com muito mais riqueza interior e com muito mais responsabilidade.”
 
Talvez isso explique, talvez não, este elemento de humanidade que encontramos na Revolução Cubana, esta firme e digna decisão de resistir. Não sabemos o que virá – “Yo no sé lo que és el destino” –, mas saudamos o aniversário do Assalto ao Quartel Moncada, abraçamos nossos camaradas cubanos e lhes agradecemos por ter mantido vivo nosso sonho por todo este tempo.
 
Nós somos como aqueles estudantes entorno de uma lamparina. Lá fora muitos são os que estão aceitando o convite para o baile em que a corte nos espera para derramar nosso sangue no altar do capital e depois festejar os índices de crescimento econômico. Eu, por meu lado, trocaria de bom grado a pujança do crescimento capitalista brasileiro pela dignidade de apenas um daqueles jovens cubanos.
 
Por isso cantamos com Silvio:
“Que tiemble la injusticia cuando lloran
los que no tienen nada que perder.
Que tiemble la injusticia cuando llora
el aguerrido pueblo de Fidel
que tiemble la injusticia cuando llora
el aguerrido pueblo de Fidel.”
Mauro Iasi é professor-adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, presidente da Adufrj e pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas (Nepem).

Retirado de SÍNTESE CUBANA

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Cuba apresenta vacina contra câncer de pulmão


O lançamento oficial da segunda vacina contra o câncer de pulmão, desenvolvida e registrada por autoridades sanitárias de Cuba, foi realizada na última sexta-feira (14/07) em Buenos Aires e terá continuação na próxima sexta-feira (28) em Córdoba, também na Argentina 

Em 2008, Cuba registrou a vacina contra o câncer pulmonar e agora tenta comercializar o produto na Argentina graças a uma colaboração iniciada em 1994. Em março, a agência regulatória de Buenos Aires aprovou o registro da Racotumomab.

Com este medicamento, Cuba espera transformar o câncer avançado em uma doença crônica que possa ser controlada por períodos prolongados, como o diabetes e a hipertensão arterial.

A vacina, chamada Racotumomab (Vaxira) e desenvolvida pelo CIM (Centro de Imunologia Molecular de Cuba) foi aplicada com resultados favoráveis em pacientes da ilha caribenha entre os anos 2008 e 2011.

Ainda não foi possível precisar se a vacina é uma solução à doença, mas ela aumenta a esperança de vida dos pacientes, ao estimular o sistema imunológico do corpo humano.


O câncer de pulmão é considerado um dos mais mortais que existem, causando por volta de 1,4 milhões de mortes por ano, segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Retirado de OPERA MUNDI.

Capes divulga editais de cooperação internacional com Cuba

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou sexta-feira, 12, os editais dos programas Capes/MES-Cuba-Docentes e Capes/MES-Cuba-Projetos. Ambos os programas são coordenados pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da Capes.
Docentes
O edital Capes/MES-Cuba Docentes concederá até 30 bolsas de estudos no Brasil para docentes cubanos, nas modalidades de doutorado-sanduíche e de pós-doutorado em todas as áreas de conhecimento. Poderão ser classificados até cinco suplentes, que serão convocados apenas em caso de desistência de candidato aprovado.
Para se candidatar, é necessário ser cidadão cubano; ser docente em instituição de ensino superior de Cuba; não possuir nacionalidade brasileira; não ser cidadão brasileiro, mesmo os binacionais, e não possuir genitor ou genitora brasileiros; não ter recebido anteriormente bolsa de estudo da Capes ou de outra agência de fomento brasileira na mesma modalidade de estudo pretendida.
As inscrições para a pré-seleção deverão ser feitas diretamente no Ministério de Educação Superior (MES) de Cuba. Somente após a aprovação nessa pré-seleção, os docentes cubanos deverão preencher o formulário de inscrição presente no site da Capes.
As inscrições online pelo site da Capes podem ser feitas até o dia 26 de agosto.
Acesse o edital.
Projetos
Já o edital Capes/MES-Cuba-Projetos promoverá, por meio de projetos conjuntos de pesquisa, o intercâmbio de docentes e pesquisadores brasileiros e cubanos, vinculados a Programas de Pós-Graduação de instituições de ensino superior (IES).
Entre os requisitos que as instituições e cursos participantes deverão atender estão: vínculo a programa de pós-graduação avaliado pela Capes; comprometimento na publicação conjunta de trabalhos técnico-científicos; o coordenador do projeto deverá possuir o título de doutor há pelo menos cinco anos, sendo sua equipe composta por no mínimo dois doutores;
Serão financiadas pela Capes, bolsas de estudos, transporte aéreo, diárias, seguro saúde e auxílio instalação para as missões aprovadas nos projetos, que podem ser do tipo Missão de Trabalho e Missão de Estudo.
No ato da inscrição, o coordenador da equipe brasileira deverá preencher o formulário disponível na página web da Capes e apresentar a documentação a documentação elencada no edital.
As inscrições poderão ser feitas até o dia 26 de agosto.
Mais informações pelos e-mails mescuba@capes.gov.br e amayl@reduniv.edu.cu.
Acesse o edital.

Retirado de CAPES.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O programa dos EUA para sabotar a solidariedade cubana



Por Jair de Souza

Documentário que expõe as bases do plano estadunidense de sabotagem contra o programa de solidariedade médica de Cuba para os outros países pobres.
Vemos aí como os Estados Unidos dedicam somas fabulosas de dólares e recursos humanos, não para salvar vidas de gente necessitada em países periféricos, mas para tentar chantagear os profissionais médicos cubanos com o intuito de estimulá-los a desertar de sua missão.
É interessante constatar como um país pequeno e pobre, totalmente bloqueado pela maior potência do planeta, consegue fazer tanto em termos de solidariedade.
Podemos imaginar como haveria muito mais justiça no mundo se os Estados Unidos decidissem seguir o exemplo de Cuba, ao invés de tentar sabotá-lo.

Retirado de VIOMUNDO

domingo, 14 de julho de 2013

VII Encontro Continental de Solidariedade com Cuba




Nesta sétima edição irão participar mais de 350 delegações internacionais pertencentes a 29 países para ratificar solidariedade e integração continental promovidas pelo eterno comandante Hugo Chávez







De 24 a 27 de julho será realizado em Caracas, o VII Encontro Continental de Solidariedade com Cuba, que contará com a participação de 350 delegações de 29 países do mundo, segundo informou o coordenador do evento, Yhonny Garcia.
Garcia informou que sob o lema "Cuba e Venezuela aprenderam a sonhar juntas", o Encontro convocado pelo Movimento de Amizade e Solidariedade Mútua Cuba-Venezuela, pelo Partido Socialista Unido da Venezuela e as forças políticas articuladas em um grande Pólo Patriótico, servirá para ratificar a solidariedade e a integração continental promovida pelo Comandante Eterno Hugo Chávez.
"O encontro será um grande acontecimento político e cultural, onde serão demonstradas  todas as agressões e violações internacionais que é submetido o povo e o heroico governo de Cuba, por parte do governo imperialista dos EUA ", disse nesta quinta-feira o integrante do   comitê do evento, durante sua participação no programa "The Guayoyo "que transmite a rádio do Parlamento venezuelano.
Garcia enfatizou a resistência da Revolução Cubana frente às políticas do bloqueio e a agressão do governo dos EUA. Ressaltou que Cuba tem sido capaz de atender as necessidades básicas dos seus cidadãos, garantindo saúde e educação pública e gratuita, com compromisso de bem-estar social, sem dar descanso à exclusão social, apesar do "bloqueio desumano".
Adiantou que, nesse sétimo encontro, também se dará respaldo a libertação dos Cinco Heróis Cubanos e se ratificará a luta contra o terrorismo e a agressão midiática não só contra o país caribenho, mas também contra processos revolucionários e progressistas que se desenvolvem em diferentes latitudes.
Por outro lado, Garcia assinalou que já confirmaram a sua presença para este VII Encontro: Atilio Borón, vencedor do prêmio Libertador do Pensamento Crítico; Mercedes López Acea, Primeira-Secretária do Comité Provincial do Partido em Havana e Vice-Presidente do Conselho de Estado e Ministros da Cuba; Gabriela Rivadeneira, Presidente da Assembleia Nacional do Equador; Vicenta Vélez, viúva do general Alberto Caamaño; Tatsuya Yoshioka, diretor do “Bote da Paz” do Japão; Mary-Alice Waters, diretora da Editora Pantfinder (EUA, Austrália); Guevara March, filha de Ernesto Che Guevara; Rene Nuñez Téllez, Presidente da Assembléia Nacional da Nicarágua; Kenia Serrano Puig, Presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), entre outros.
"O VII Encontro foi um acordo assinado durante o evento anterior, realizado no México em 2011, e é um reconhecimento à contribuição, à solidariedade e à integração continental promovidas pelo líder bolivariano, Hugo Chávez", afirmou.
De acordo com Yhonny Garcia, a solidariedade continental com Cuba se ativa para fortalecer e acompanhar o povo de Bolívar "em ações para garantir a irreversibilidade da Revolução Bolivariana, como forma de continuar combatendo as políticas hegemônicas".
Finamente, o também membro do Movimento de Amizade e Solidariedade Mútua Cuba-Venezuela, convidou todo o povo a participar das diferentes atividades que foram preparadas pela comissão organizadora.


Mais informações:




Retirado de PRENSA AN

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Raúl Castro faz discurso histórico perante o parlamento cubano



Raúl faz apelo a eliminar qualquer indisciplina ou sinal de deterioração dos bons costumes dos cubanos
O. FONTICOBA GENER
Em um impressionante discurso onde tratou dos principais problemas éticos e morais da sociedade cubana, o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido e presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, General-de-exército Raúl Castro Ruz fez um apelo aos dirigentes das instâncias nacionais até a base a abrirem mão da facilidade e a inércia em sua conduta e a eliminarem qualquer indisciplina ou sinal de deterioração dos bons costumes dos cubanos.
Durante o encerramento do Primeiro Período Ordinário de Sessões da Oitava Legislatura da Assembleia Nacional do Poder Popular, na tarde de domingo, 7 de julho, Raúl acrescentou a importância da participação cidadã e enfatizou que é preciso deixar de olhar para o outro lado, para não ver as dificuldades e não ter medo de arranjar problemas no cumprimento de seus deveres. Deve-se assumir como própria uma mentalidade de ordem, disciplina e exigência.
"Nada é mais alheio a um revolucionário que a resignação, ou o que é o mesmo: a rendição ante as dificuldades. Cabe-nos levantar o ânimo e o espírito de combate", frisou.
O presidente aludiu, ainda, ao comportamento positivo da economia nacional, apesar das pressões externas, os danos ocasionados pelo furacão Sandy e nossas próprias insuficiências. E enfatizou no apoio da população à atualização do modelo econômico, que avança sem o uso de "terapias de choque" e o desamparo de milhões de pessoas, que caracteriza as políticas de ajuste aplicadas nos últimos anos em várias nações da rica Europa.

Durante a jornada matutina os deputados escutaram uma profunda explicação por parte do vice-presidente do Conselho de Ministros, Marino Murillo Jorge e de Leonardo Andollo, chefe e segundo chefe, respectivamente, da Comissão de Implementação das Diretrizes aprovadas no 6º Congresso do Partido, acerca do andamento das principais medidas que vieram sendo implementadas.



Leia a íntegra do discurso histórico:


A perda de valores éticos e o desrespeito aos bons costumes pode reverter-se mediante a ação organizada de todos os fatores sociais

Intervenção do primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, na Primeira Sessão Ordinária da 8a Legislatura da Assembleia Nacional do Poder Popular, no Palácio das Convenções, em 7 de julho de 2013.

Companheiras e companheiros,
Cabe-me realizar as conclusões deste, o Primeiro Período de Sessões da 8a Legislatura da Assembleia Nacional, âmbito no qual, cumprindo o concertado, nossos deputados receberam uma ampla explicação acerca do desempenho da Economia no primeiro semestre, assim como do andamento da implementação das Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução, assuntos que previamente foram examinados na reunião do Conselho de Ministros, realizada em 28 de junho e no Sétimo Plenário do Comitê Central, na segunda-feira passada.
Considerando a informação oferecida a nosso povo pela mídia, não é necessário aprofundar nestes assuntos e só assinalarei aqueles aspectos de maior importância.
A economia nacional continuou mostrando um comportamento positivo em meio das tensões externas, dos danos causados pelo furacão Sandy e de nossas próprias insuficiências.
Como já foi divulgado, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 2,3%, que sem chegar ao planejado supera em duas décimas o atingido no primeiro semestre do ano passado. Certo é que ainda o comportamento do PIB não se percebe na economia da família média cubana.
Reafirma-se a tendência crescente das atividades produtivas, ao tempo que se preservam em níveis similares os serviços sociais a toda a população.
Também os deputados receberam uma detalhada panorâmica do andamento da implementação das Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução aprovadas pelo 6o Congresso, processo que constitui a principal tarefa de todos, porque de seu sucesso dependerá a preservação e o desenvolvimento do socialismo em Cuba, um socialismo próspero e sustentável, que ao mesmo tempo que ratifica a propriedade social — como já explicou o companheiro Murillo — sobre os meios fundamentais de produção, reconhece o papel de outras formas de gestão não estatais; reafirma o planejamento como instrumento indispensável na direção da economia, sem negar a existência do mercado.
Desejo reiterar a convicção de que nesta frente de significação estratégica continuou o avanço e já começam a observar-se os primeiros resultados animadores, embora também seja verdade que falta um longo e complexo caminho para atualizar nosso modelo econômico e social, assegurando o apoio majoritário da população a este processo, o qual exclui a utilização de terapias de choque e o desamparo de milhões de pessoas que caracterizam as políticas de ajuste aplicadas nos últimos anos em várias nações da rica Europa.
O fenômeno da dualidade monetária constitui um dos obstáculos mais importantes para o progresso da nação, e tal qual assinala a 55ª Diretriz, deverá avançar-se até a unificação, levando em conta a produtividade do trabalho. A própria Diretriz reconhece a complexidade deste propósito, que exigirá uma rigorosa preparação e execução, tanto no plano objetivo quanto subjetivo.
Sobre o particular posso comunicar-lhes que prosseguiram os estudos para a supressão da dualidade monetária de forma ordenada e integral, o qual nos permitirá acometer transformações de maior alcance e profundidade em termos de salários e pensões, preços e tarifas, subsídios e tributos. Em poucas palavras, conseguir que todos os cidadãos aptos se sintam incentivados a trabalhar legalmente a partir de restabelecer a vigência da lei de distribuição socialista, “de cada quem segundo sua capacidade, a cada quem segundo seu trabalho”, o que propiciará terminar com a injusta “pirâmide invertida”, ou o que é a mesma coisa, maior responsabilidade, menor retribuição.
Ao mesmo tempo, devemos outorgar a máxima prioridade ao aperfeiçoamento do sistema de produção agropecuária, assegurando que os experimentos aprovados para liberar os obstáculos que tolhem seu desenvolvimento atinjam os objetivos propostos.
Da mesma maneira, com a introdução nos planos para o próximo ano das diretrizes aprovadas, as empresas estatais conseguirão maior autonomia em sua gestão e na distribuição dos resultados — como foi mais amplamente explicado na manhã de hoje.
Igualmente, apoiaremos decididamente a criação de cooperativas não agropecuárias, as quais, de conjunto com a continuada a abertura do trabalho independente, facilitarão liberar o Estado de atividades produtivas e de serviços não fundamentais e concentrar-se no programa de desenvolvimento em longo prazo.
A implementação das Diretrizes leva implícita a necessidade de avaliar sistematicamente os efeitos das mudanças que se vieram introduzindo e corrigir com prontidão qualquer desvio. Também demanda o estabelecimento de um clima permanente de ORDEM, DISCIPLINA E EXIGÊNCIA na sociedade cubana, premissa imprescindível para consolidar o avanço da atualização do modelo econômico e não admitir retrocessos contraproducentes.
Precisamente, a este assunto dedicarei a maior parte de minha intervenção, tal qual expressei a vocês, em 24 de fevereiro, na Sessão da Constituição da atual Legislatura do Parlamento, ocasião na qual contamos com a presença do companheiro Fidel, que sobre o particular expressou, cito: “a grande batalha que se impõe é a necessidade de uma luta enérgica e sem trégua contra os maus hábitos e os erros que nas mais diversas esferas cometem diariamente muitos cidadãos, inclusive militantes”, fim da cita.
Este tema não é agradável para ninguém, mas me atenho ao convencimento de que o primeiro passo para superar um problema de maneira efetiva é reconhecer sua existência em toda a dimensão e aprofundar nas causas e condições que propiciaram este fenômeno, ao longo de muitos anos.
Imagino as notícias nos próximos dias da grande mídia internacional, especializada em difamar Cuba e submetê-la a um frenético escrutínio; já nos acostumamos a viver sob o assédio e não devemos restringirmo-nos a debater com toda a crueza a realidade, se o que nos motiva é o mais firme propósito de ultrapassar o ambiente de indisciplina que se arraigou em nossa sociedade e causa danos morais e materiais nada desprezíveis.
Percebemos com dor, ao longo dos mais de 20 anos de período especial, a acrescentada deterioração de valores morais e cívicos, como a honestidade, a decência, a vergonha, o decoro, a honradez e a sensibilidade perante os problemas dos outros.
Lembremos as palavras de Fidel na Aula Magna da Universidade de Havana, em 17 de novembro de 2005, quando disse que a esta Revolução não poderia destrui-la o inimigo, mas sim nós mesmos e seria nossa culpa, advertiu.
Assim, uma parte da sociedade passou a ver normal o roubo ao Estado. Propagaram-se com relativa impunidade as construções ilegais, aliás, em locais indevidos, a ocupação não autorizada de moradias, a comercialização ilícita de bens e serviços, o descumprimento dos horários nos centros de trabalho, o roubo e sacrifício ilegal de gado, a captura de espécies marinhas em perigo de extinção, o uso de artes de pesca em massa, o abatimento de recursos florestais, inclusive no magnífico Jardim Botânico de Havana; a monopolização de produtos deficitários e sua revenda a preços superiores, a participação em jogos à margem da lei, as violações de preços, a aceitação de subornos e prebendas, o assédio ao turismo e a infração do estabelecido em termos de segurança informática.
Comportamentos, antes próprios da marginalidade, como gritar a viva voz na rua, o uso indiscriminado de palavrões e a grosseria ao falar, vieram incorporando-se ao agir de não poucos cidadãos, independentemente de seu nível educacional ou idade.
Prejudicou-se a percepção sobre o dever cidadão perante o mal feito e é tolerado como algo natural jogar lixo nas ruas, fazer necessidades fisiológicas em ruas e parques; pichar e tornar feias as paredes de prédios ou áreas urbanas; ingerir bebidas alcoólicas em locais públicos inapropriados e dirigir veículos em estado de embriaguez; o desrespeito ao direito dos moradores não se enfrenta, floresce a música alta que prejudica o descanso das pessoas; prolifera impunemente a criação de suínos em meio das cidades, com o conseguinte risco à saúde do povo, convive-se com os maus tratos e a destruição de parques, monumentos, árvores, jardins e áreas de relva; a telefonia pública é vandalizada, além da fiação elétrica e telefônica, as sarjetas e outros elementos dos aquedutos, os sinais de trânsito e as defesas metálicas das estradas.
Igualmente, evade-se o pagamento da passagem no transporte estatal ou alguns trabalhadores do setor se apropriam do dinheiro; grupos de jovens atiram pedras aos trens e veículos automotores, sempre nos mesmos locais; ignoram-se as mais elementares normas de cortesia e respeito aos idosos, mulheres grávidas, mães com crianças pequenas e deficientes físicos. Tudo isto acontece perante nossa própria cara, sem concitar a repulsa e o enfrentamento cidadãos.
O mesmo acontece nos diferentes níveis de ensino, onde os uniformes escolares se transformam ao ponto de não parecê-lo, alguns professores ministram aulas incorretamente vestidos e há casos de professores e familiares que participam em fatos de fraude acadêmica.
É sabido que o lar e a escola formam o sagrado binômio da formação do indivíduo em função da sociedade e estes atos representam já não apenas um prejuízo social, senão graves fendas de caráter familiar e escolar.
Esses comportamentos em nossas aulas são duplamente incompatíveis, pois além das indisciplinas em si mesmas, temos que ter presente que desde a infância a família e a escola devem incutir nas crianças o respeito às regras da sociedade.
O mais sensível é a deterioração real e de imagem da retidão e das boas maneiras do cubano. Não pode aceitar-se identificar vulgaridade com modernidade, nem grosseria nem descaramento com o progresso; viver em sociedade leva, em primeiro lugar, a assumir normas que preservem o respeito ao direito alheio e à decência. Claramente, nada disto entra em contradição com a típica alegria dos cubanos, que devemos preservar e desenvolver.
Limitei-me a fazer uma verificação dos fenômenos negativos mais representativos, sem o ânimo de relacioná-los um por um, já que isso alongaria desnecessariamente estas palavras.
Com o concurso do Partido e dos organismos do governo, realizou-se um primeiro levantamento que deu 191 manifestações desta classe — cientes estamos de que não são as únicas e de que há muitas mais — separadas em quatro categorias diferentes: a indisciplina social, as ilegalidades, as contravenções e os delitos reunidos no Código Penal.
O combate contra esses nocivos comportamentos e fatos deve ser realizado utilizando diversos métodos e vias. A perda de valores éticos e o desrespeito aos bons costumes pode reverter-se mediante a ação organizada de todos os fatores sociais, começando pela família e pela escola desde idades precoces e a promoção da Cultura, vista em seu conceito mais abrangente e perdurável, que conduza todos à retificação consciente de seu comportamento. Este será, porém, um processo complexo que levará bastante tempo.
O delito, as ilegalidades e as contravenções se enfrentam de maneira mais simples, fazendo cumprir o estabelecido na lei e para isso qualquer Estado, independentemente da ideologia, conta com os instrumentos requeridos, mediante a persuasão ou, em último caso, se fosse necessário, aplicando medidas coercitivas.
O real é que se abusou da nobreza da Revolução, de não utilizar a força da lei, por justificado que fosse, privilegiando o convencimento e o trabalho político, o qual devemos reconhecer que nem sempre foi suficiente.
Os órgãos estatais e de governo, cada um no que lhes corresponde, entre eles a Polícia, a Controladoria Geral da República, a Procuradoria e os Tribunais devem contribuir com este empenho, sendo os primeiros em dar exemplo de apego irrestrito à Lei; reforçando assim sua autoridade perante a sociedade e assegurando o apoio da população, como ficou demonstrando no enfrentamento recente a vergonhosos casos de corrupção administrativa, nos quais se envolveram funcionários de organismos e empresas.
É hora já de que os coletivos de operários e camponeses, os estudantes, jovens, mestres e professores, nossos intelectuais e artistas, jornalistas, as entidades religiosas, as autoridades, os dirigentes e funcionários em cada nível, em resumo, todas as cubanas e cubanos dignos, que constituem indubitavelmente a maioria, façam seu o dever de cumprir e fazer com que se cumpra o que está estabelecido, tanto nas normas cívicas quanto em leis, disposições e regulamentos.
Quando medito sobre estas lamentáveis manifestações, penso que apesar das inegáveis conquistas educacionais atingidas pela Revolução e reconhecidas no mundo inteiro pelos organismos especializados das Nações Unidas, recuamos em cultura e civismo cidadãos. Tenho a amarga sensação de que somos uma sociedade cada vez mais instruída, mas não necessariamente mais culta.
Em tal sentido, vale a pena lembrar aquela frase que se atribuiu a diferentes autores, entre eles ao filósofo e escritor espanhol Miguel de Unamuno, que para resumir suas vivências acerca das normas de convívio de uns camponeses de Castela expressou: “Que cultos são estes analfabetos!”.
Nada é mais alheio a um revolucionário que a resignação, ou o que é a mesma coisa, a rendição perante as dificuldades. Portanto, o que nos cabe é levantar o ânimo e o espírito de combate e focalizar-nos na gigantesca e paciente tarefa de reverter a situação criada.
Na minha opinião, o denominador comum de todo este fenômeno foi e é a falta de exigência dos encarregados de fazer cumprir o estabelecido, a ausência de sistematicidade no trabalho nos diferentes níveis de direção e o desrespeito, em primeiro lugar, pelas entidades estatais da estrutura institucional vigente, o qual, por outro lado, desacredita sua capacidade e autoridade para exigir da população que se atenha às regulamentações existentes.
Por apenas citar um exemplo: quantas violações das normativas de Planejamento Físico foram detectadas no setor estatal, ao longo do país, algumas delas denunciadas na imprensa? Temos que reforçar, como já estamos fazendo, a ordem e a disciplina em todos os organismos do governo.
Ao mesmo tempo, os dirigentes das instâncias nacionais à base, devem abrir mão da passividade e da inércia em seu comportamento; devem deixar de olhar para o outro lado, quando o problema está aqui, para não vê-lo. Chega de ter medo a ter problemas no cumprimento de nossos deveres, e assumir como própria uma mentalidade de ordem, disciplina e exigência, sem temor a ter problemas por reclamar o cumprimento do estabelecido.
O enfrentamento à indisciplina social não pode converter-se numa campanha a mais, senão num movimento permanente cuja evolução dependerá da capacidade de mobilizar a população e os diferentes atores de cada comunidade, sem excluir ninguém, com rigor e intencionalidade política.
Façamos o balanço das forças com que conta a Revolução e compreenderemos que são mais que suficientes para ter sucesso.
As primeiras ações realizadas pelo Partido, a Juventude e as organizações de massas para fortalecer a prevenção e o enfrentamento evidenciaram, em apenas quatro meses, que na medida em que as instituições políticas, sociais e administrativas aprofundaram sua atuação nesta esfera, a população patenteou seu respaldo e se soma denunciando e combatendo fatos e comportamentos que violavam a legalidade.
Se quisermos triunfar nesta tarefa temos que incorporar o povo, cada cidadão, não mediante arengas e consignas vazias em reuniões candentes, senão plantando em cada um a motivação por sermos melhores e levando por diante o exemplo individual.
Esse era o tema central de minhas palavras, aprovadas pelo Bureau Político ontem de manhã. Sobre este tema que acabo de concluir, podemos falar várias horas, mas é suficiente o que já disse, o resto deve ser publicado.
Como é natural, isto será publicado em toda nossa imprensa. Eu sugiro a vocês todos e aos que me escutam, que o leiam com calma, e meditem individualmente, só lhes peço que meditem pessoalmente.
Passando a outro tema, ontem nossos deputados emitiram um Chamamento a todos os parlamentares do mundo e às personalidades comprometidas com a justiça para que reclamem às autoridades dos Estados Unidos a libertação e o retorno imediato de Gerardo, Ramón, Antonio e Fernando, que no próximo 12 de setembro completarão 15 anos de injusta prisão.
Também aplaudimos as empolgantes palavras do Herói da República de Cuba, René González, que veio reforçar a luta por esta nobre causa, que não parará até que todos retornem à Pátria.
Finalmente, devo expressar que as recentes revelações do cidadão norte-americano Edward Snowden permitiram confirmar a existência de sistemas de espionagem global dos Estados Unidos, que violam a soberania das nações, inclusive, de seus aliados, e os direitos humanos.
Cuba que foi historicamente um dos países mais agredidos e também mais espionados do planeta, já sabia acerca da existência destes sistemas de espionagem.
O novo e inusitado foi a maneira em que se impôs o controle midiático e a censura para desviar a atenção do fundamental, ou seja, o enorme poder do governo norte-americano no controle em massa das tecnologias da informação e dos meios de comunicação e centrar-se, então, na perseguição internacional do denunciante.
Aproveitando-se de seu poder midiático internacional — supranacional já porque estes meios estão acima das nações — concentram-se agora na perseguição do jovem denunciante destas atividades.
As ameaças de aplicar medidas econômicas contra o Equador e a ação concertada de vários países europeus para impedir o sobrevoo ou pouso do presidente Evo Morales, demonstram que vivemos num mundo em que os poderosos se sentem em condições de violar o Direito Internacional, vulnerar a soberania dos Estados e espezinhar os direitos dos cidadãos.
Perante esta filosofia de dominação, todos os países do Sul estamos e continuaremos estando em perigo.
Apoiamos os legítimos reclamos e pronunciamentos dos presidentes da Venezuela, Equador, Argentina, Bolívia, Nicarágua, Brasil, Uruguai e de outros líderes latino-americanos e caribenhos.
Instamos à mobilização da opinião pública internacional, à enérgica denúncia e firme condenação das ameaças contra o Equador e do atropelo contra o presidente da Bolívia, contra toda a Nossa América.
Respaldamos o direito soberano da República Bolivariana da Venezuela e de todos os Estados da região de conceder asilo aos perseguidos por seus ideais ou lutas pelos direitos democráticos, segundo nossa tradição.
Não aceitamos dupla moral, interferências nem pressões de nenhuma classe. Como assinalou o presidente Nicolás Maduro, não se pode dar refúgio e negar a extradição à Venezuela de um terrorista internacional como Posada Carriles, autor, entre outros crimes, da explosão em pleno voo de um avião de Cubana de Aviação com 73 seres humanos, e ao mesmo tempo pretender que esta irmã nação não exerça seu direito legítimo.
Hoje é 7 de julho. Estamos a poucos dias de comemorar o 60oaniversário do ataque aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes. Enfrentemos os novos desafios com a mesma decisão e fé inabalável na vitória, que sempre nos incutiu o chefe da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz.
Muito obrigado.

Retirado do GRANMA