segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Solidariedade a Cuba perde o companheiro Messias Pontes

A Casa de Amizade Brasil-Cuba do estado do Ceará e movimento brasileiro de solidariedade a Cuba acaba de perder um dos seus melhores militantes
"É com muita tristeza que anunciamos o falecimento do grande Jornalista Messias Pontes, um dos fundadores da Casa de Amizade no Ceará. O companheiro Messias lutou contra a ditadura militar em nosso país, tendo sido preso e torturado, e nunca deixou de sonhar com um mundo mais justo. Dedicava muito do seu tempo a defender Cuba em sua carreira de jornalista".
Abaixo reproduzimos um dos artigos do companheiro jornalista Messias Pontes:

Cuba é exemplo para o mundo - Messias Pontes

Enquanto a mídia conservadora mundial encobre e é conivente com os bárbaros crimes perpetrados pelo imperialismo, notadamente o norte-americano, Cuba age silenciosamente prestando solidariedade em dezenas de países pobres, em especial na América Latina. São duas posições diametralmente opostas.
Quem não se lembra do terremoto que praticamente destruiu o Haiti, causando 250 mil mortes, inclusive de brasileiros, destacando-se Dona Zilda Arns, e 1,5 milhão de desabrigados? Enquanto os Estados Unidos mandavam dezenas de milhares de militares, Cuba mandava médicos e enfermeiros para atenderem os feridos, a maioria em estado grave. As tropas ianques ocuparam o aeroporto da capital Porto Príncipe, proibindo a aterrizagem de aviões de países que levavam ajuda humanitária mas que não contavam com a simpatia do Pentágono.
Uma brigada de 1.200 médicos está atuando em todo o território haitiano, atendendo as vítimas do terremoto e infectados com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro. Enquanto os médicos cubanos cuidavam dos feridos e confortavam suas famílias, os militares ianques reprimiam violentamente a população mais pobre. O mundo deveria se envergonhar dessa situação.
Atualmente, mais de 8.200 estudantes pobres de mais de 30 países estudam medicina em Cuba. Além da gratuidade, esses alunos ainda recebem uma bolsa do governo cubano. Do Brasil são 684 estudantes pobres que estudam na Escola Latino-americana de Medicina (ELAM). Do Ceará são 33, e 70 já terminaram o seu curso e atuam principalmente no interior do Estado, muitos deles em assentamentos do MST.
Com o apoio do governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Saúde, os  cearenses que estudam na ELAM  e que vem passar as férias de meio do ano aqui, realizam jornadas na periferia de Fortaleza e no interior do estado, mais precisamente nas localidades mais carentes. Este ano, a jornada será realizada no município de Sobral no período de 1º a seis de agosto, contando com o apoio do prefeito Clodoveu (Veveu) Arruda, da Sesa e da Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará. Esse trabalho é coordenado por Thiago Ponciano, cearense que preside a Associação dos Estudantes Brasileiros em Cuba.
Neste mês de julho, o sistema de saúde da Nicarágua será fortalecido com a chegada de 315 estudantes egressos da ELAM. Eles acabam de concluir o quinto ano do Curso de Medicina e tão logo cheguem a seu país se incorporarão ao sistema nacional de saúde como internos enquanto cursam o sexto e último ano com professores da brigada médica cubana Che Guevara, que presta serviços há vários anos nessa nação centro-americana.
Segundo informou o doutor Alfredo Rodriguez, chefe da brigada médica cubana, depois de graduar-se como médicos, eles continuarão mais dois anos como residentes em especialidade de Medicina Geral Integral. Ao todo são 425 os estudantes nicaragüenses que concluíram Medicina este ano na ELAM, porém só esses 315 continuarão seus estudos na Nicarágua, enquanto os outros 137 restantes o farão em Cuba. No total são 880 os jovens nicaragüenses a se formarem em Medicina e Cuba e outros 15 em carreiras tecnológicas.
É importante observar que nos Estados Unidos mais de 55 milhões de pessoas não têm acesso a nenhuma assistência básica de saúde. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a aconselhar o presidente Barack Obama a criar um sistema nos moldes do SUS visando à universalização da saúde naquele país, porém lá isso é quase impossível porque a saúde é tratada como mercadoria, ou seja, só tem acesso quem tem dinheiro.
A colonizada direita brasileira e certos setores ditos de “esquerda” deveriam atentar para o fato de que, enquanto Cuba – apesar do criminoso boicote econômico, financeiro e comercial imposto pelo império do Norte – ajuda países pobres, na maioria latino-americanos, o governo estadunidense proíbe até que laboratórios vendam remédios para tratar crianças cubanas com câncer.
Num flagrante desrespeito aos mais elementares direitos humanos e à autodeterminação dos povos, contrariando orientações das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, informou na última sexta-feira  15, ao Congresso do seu país, que prorrogou por mais seis meses a suspensão de uma cláusula da Lei Helms-Burton que permite entrar com um processo contra empresas estrangeiras que negociem com Cuba. Essa ação unilateral do governo ianque representa a continuidade do cruel e criminoso bloqueio contra a Ilha, que já dura mais de meio século.
O que a velha mídia conservadora, venal e golpista brasileira, vergonhosamente esconde, é que em Cuba a saúde é universalizada e o analfabetismo é zero, e que, com ajuda de professores cubanos a Venezuela e a pobre Bolívia erradicaram o analfabetismo. A informação é da UNESCO.
O método de alfabetização cubana é o que há de mais avançado no mundo. Professores cubanos atuam em dezenas de países, incluindo o Brasil, sendo dezenas deles no Ceará. Enquanto Cuba ajuda na educação, o imperialismo, notadamente o norte-americano bombardeia há anos escolas e hospitais no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão, e agora na Líbia.
Por tudo isto e muito mais é que Cuba é exemplo para o mundo.
21/7/2011

Retirado de ABN



Nota do PCdoB a respeito do jornalista Messias Pontes, que morreu sábado passado, dia 9/11:
O Partido Comunista do Brasil, por sua direção estadual, manifesta seu profundo pesar pelo falecimento do jornalista, radialista e militante comunista Messias de Araújo Pontes, ocorrido na noite deste sábado, dia 09 de novembro.
Militante histórico do PCdoB, no qual ingressou no início dos anos 1970, oriundo da Ação Popular – organização revolucionária que se integrou ao nosso partido em 1972 – Messias Pontes iniciou sua atuação política ainda jovem, no movimento secundarista e depois nos movimentos de educação popular.
Por sua luta contra o regime militar foi perseguido, preso e torturado barbaramente. Libertado, ingressou na luta pela anistia e já deu seus primeiros passos no Radialismo, onde se destacou como um dos mais aguerridos defensores da liberdade de expressão e da democratização da comunicação. Seu programa de rádio “Espaço Aberto” se transformou numa trincheira dos movimentos sociais e das forças democráticas e progressistas.
Como jornalista atuou no Mutirão, órgão da imprensa popular e democrática cearense, nos jornais O Povo, Tribuna do Ceará, Diário do Nordeste e O Estado, onde matinha uma coluna semanal. Trabalhou na TV Ceará (TVC), emissora pública estadual, onde chegou a ser diretor de jornalismo. Atualmente era também colunista nacional do Portal Vermelho, onde semanalmente abordava temas de grande relevância e travava o debate de ideias de forma firme e convicta. Messias foi ainda diretor da Associação Cearense de Imprensa (ACI) e do Sindicato dos Jornalistas do Ceará, onde atualmente presidia a Comissão da Verdade, Memória e Justiça dos Jornalistas Cearenses, que resgata a história de profissionais perseguidos pela ditadura no Estado.
Convicto do ideal socialista, era um entusiasta da experiência cubana, integrava a Associação de Amizade Brasil-Cuba/Casa Jose Marti e em 2011 realizou o grande sonho de conhecer Cuba, onde participou das comemorações do Primeiro de Maio. Messias foi fiel ao partido até seu último momento de vida. Há um ano enfrentava um câncer no pâncreas, mas jamais se desligou totalmente da militância. Por ocasião da 21a Conferencia Estadual do PCdoB, realizada no início de outubro, já hospitalizado, lamentou muito não poder participar da plenária final, que ainda o elegeu para a direção estadual, a qual integrava há décadas. Pouco antes de sua última internação ainda achou forças para acompanhar a conferência municipal de Miraíma, onde era responsável pela estruturação e funcionamento do PCdoB local.
Hoje seus camaradas e todos os democratas rendem profunda homenagem a Messias Pontes, militante revolucionário que nos comove com sua morte, mas nos emociona com sua aguerrida trajetória de luta. O PCdoB se solidariza e abraça fraternalmente sua companheira Nilma, o filho Carlos e as filhas Silvana e Márcia, assim como os netos, as netas e todos os parentes deste nosso bravo e imprescindível lutador.

Descanse em paz, camarada Messias Pontes.

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