quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Fidel Castro: 88 anos de um lutador

Por Maria Leite 

“El día que me muera de verdad nadie lo va a creer. Podría andar como el Cid Campeador, que ya muerto lo llevaban a caballo ganando batallas”

Fidel Castro

No discurso pronunciado por ocasião do 60° aniversário de seu ingresso no curso de Direito, em 17 de novembro de 2005, na Aula Magna da Universidade de La Habana, Fidel Castro, melhor do que ninguém, resumiu o fechamento do ciclo de sua própria existência, árdua etapa para uns, para outros menos, mas que um dia recai sobre todos os afortunados que se acercam da longevidade. Rodrigo Díaz de Vivar, mais conhecido como El Cid Campeador, amarrado a seu cavalo, colocou em fuga os apavorados inimigos, mesmo depois de morto. Nesse homem, o líder da revolução cubana buscou a imagem perfeita para definir a própria trajetória de lutas, seu exemplo de resistência, determinação e garra, típicos dos vencedores.

Num período histórico bastante complexo na vida do povo cubano, quando muitos aguardavam a queda eminente de todos os dominós, o sistema que como em um furacão seria supostamente varrido pela avalanche dos fins sobreviveu às adversidades que se apresentaram em meados da década de 90. Quando foram arriadas as bandeiras da URSS, pondo um ponto final à história do chamado Campo Socialista, surgiu a “teoria” das circunstâncias. Segundo esta, a diligência soviética havia atuado como num tabuleiro; tocou-se a primeira peça e, em cadeia, todas as demais iriam caindo. Nessa lógica, Cuba também deveria cair. Em meio ao alarido, Fidel advertiu: “não se esqueçam de que essa ficha, da qual vocês falam, está demasiado distante no geográfico e no histórico”.
Mas quem é Fidel Castro, aos 88 anos de idade? Com certeza, a história de Cuba e do mundo teria evoluído de forma distinta, se esse campeador tivesse sido menos determinado. O papel de Fidel na orientação do movimento revolucionário é definitivo, porque nenhum líder correu tantos riscos pessoais e nem se entregou, de forma tão direta, à luta. Nas trilhas tortuosas de Sierra Maestra, muitas vezes sem víveres e armamentos, se forjou o homem que faz questão de ver todas as crianças cubanas limpas, bem alimentadas e educadas.

Falando aos estudantes chilenos em 1971, Fidel nos deixou uma importante lição, que merece ser lembrada no dia de hoje: “O ideal na política é a unidade de critérios, a unidade de doutrina, a unidade de forças, a unidade de mando, como em uma guerra. Porque uma revolução é isso. É como uma guerra. É difícil conceber a batalha com dez comandantes diferentes, dez critérios diferentes, dez doutrinas militares diferentes e dez táticas. O ideal é a unidade. Outra coisa é o real. Creio que cada país deve se acostumar a travar suas batalhas nas condições em que se encontre”.

Maria Leite é militante da Associação Cultural José Martí de Santos/SP.

Retirado de SOLIDÁRIOS

América Latina celebra 88º aniversário de Fidel Castro



Uma das figuras mais importantes para a América Latina completa 88 anos nesta quarta-feira (13). Fidel Castro, líder histórico da Revolução Cubana, é símbolo da luta dos povos e exemplo vivo da resistência. Há quem afirme que Fidel não é só dos cubanos, mas de todos os latino-americanos. Isso pode ser constatado nas homenagens que alguns países da região prepararam para agradecer por poder contar com a sabedoria e experiência política do comandante revolucionário por mais um ano.

Fidel Castro é reconhecido como grande gestor, condutor e líder histórico de uma Revolução que desde seu triunfo em 1 de janeiro de 1959 abriu as portas da emancipação nacional e é farol para a América Latina e o mundo.

A Argentina celebrará os “88 anos de vitória” de Fidel Castro na Casa de Amizade Argentino-Cubana, com apresentação de um documentário e degustação de comidas típicas da ilha.


O Peru, através da Coordenadoria Peruana de Solidariedade com Cuba, saudou Fidel pelo aniversário. Em um comunicado, o bloco de organizações solidárias com a ilha ressaltou o papel histórico do ex-estadista cubano, que cedeu o poder a seu irmão Raúl Castro em 2006.

A presidenta do Conselho Mundial da paz, Socorro Gomes, enviou uma “calorosa” mensagem de felicitações a Fidel. “Desejo-lhe toda a voz”, disse Socorro. Segundo ela, o comandante é o construtor de todos os movimentos pela paz e um verdadeiro exemplo desta luta no mundo.

No Equador será apresentado o documentário "Caudal de Río", dedicado ao pensamento ambiental do líder da Revolução Cubana. O material audiovisual inclui um relato biográfico da vida de Fidel e destaca as experiências que moldaram sua visão sobre a necessidade de conservar o meio ambiente e os desafios que a humanidade tem para fazê-lo.

As façanhas de Fidel serão lembradas com fotografias, esculturas e documentários, em diferentes países da América Latina. Em Havana, Cuba, a exposição fotográfica “Fidel é Fidel”, foi inaugurada nesta terça-feira (12) e trata-se de uma homenagem do cinegrafista e fotógrafo Roberto Chile, que acompanhou o ex-presidente cubano de 1984 até 2006.

Na ilha caribenha estas celebrações se enquadram no contexto da jornada "Sí tengo un hermano" (Sim, tenho um irmão), dedicada também ao falecido líder venezuelano e bolivariano, Hugo Chávez, a quem Fidel Castro definiu como melhor amigo de Cuba.

Com informações do CubaDebate, Telesur e Prensa Latina.

Retirado de SOLIDÁRIOS