sábado, 27 de setembro de 2014

Ignacio Ramonet: o bloqueio a Cuba próximo do fim?

"2 horas de bloqueio [a Cuba] equivalem a todas as máquinas brailles que necessitam os cegos de seu país", denuncia outdoor em Cuba
Por Ignacio Ramonet no Outras Palavras 

No livro que se acaba de publicar sobre suas experiências como secretária de Estado, durante o primeiro mandato (2008-2012) do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, intitulado Decisões difíceis (1), Hillary Clinton escreve, a propósito de Cuba, algo fundamental: "ao terminar meu mandato, pedi ao presidente Obama que reconsiderasse nosso embargo contra Cuba. Não cumpre nenhuma função e obstrui nossos projetos com toda America Latina".

Pela primeira vez, uma personalidade que aspira à presidência dos Estados Unidos afirma publicamente que o bloqueio imposto por Washington – desde mais de cinquenta anos! – à maior ilha do Caribe não cumpre "nenhuma função". Isto é, não se tem permitido submeter esse pequeno país apesar. do grande sofrimento injusto que se tem causado a sua população. Nesse sentido, o fundamental, na constatação de Hillary Clinton, são dois aspectos:

Primeiro, rompe o tabu, dizendo em voz alta o que desde muito tempo todos já sabem em Washington: que o bloqueio não serve para nada. E segundo, de maior importância, é declarar isto no momento em que arranca na corrida à candidatura do Partido Democrata à Casa Branca. Isto quer dizer, não teme que essa afirmação – na contracorrente de toda a política de Washington diante de Cuba no ultimo meio século – constitua, para ela, um obstáculo, na larga batalha eleitoral que tem daqui até as eleições de 8 de novembro de 2016.

 Ignacio Ramonet em visita a Cuba para lançamento de livro no centro de imprensa
Se Hillary Clinton sustenta uma postura tão pouco convencional, em primeiro lugar, é porque assume o desafio de responder sem temor as duras criticas que não deixaram de formular seus adversários republicanos, ferozmente hostis a toda mudança de Washington com respeito a Cuba. E, em segundo lugar, porque não ignora que a opinião publica estadunidense tem evoluído sobre esse tema, sendo hoje majoritariamente favorável ao fim do bloqueio.

Do mesmo modo que Hillary Clinton, um grupo de cinquenta importantes empresários (2), ex-altos funcionários estadunidenses de distintas tendências políticas e intelectuais, acaba de pedir a Obama, em carta aberta (3), que utilize as prerrogativas do Poder Executivo para introduzir mudanças mais inteligentes com relação a Cuba e se aproxime mais de Havana. Seria uma forma de minimizar o impasse, sabendo que o presidente dos Estados Unidos não possui a faculdade de acabar com o embargo — o que depende de uma maioria qualificada de democratas e republicanos no Congresso. Assinalam que a sociedade apoiaria este primeiro passo.

Com efeito, uma pesquisa realizada em fevereiro desse ano pelo centro de investigação Atlantic Council afirma que 56% dos estadunidenses querem uma mudança na política de Washington com Havana. E, mais significativo, na Florida, o Estado com maior sensibilidade neste tema, 63% dos cidadãos (e 62% dos latinos) desejam o fim do bloqueio (4). Outra consulta mais recente, realizada pelo Instituto de Investigação Cubano da Universidade Internacional da Florida, demonstra que a maioria da própria comunidade cubana de Miami (5) pede pelo fim do bloqueio à ilha (71% dos consultados considera que o embargo "não tem funcionado", e uns 81% votaria por um candidato que substituísse o bloqueio por uma estratégia que promovesse o restabelecimento diplomático entre ambos os países) (6).

Ocorre que, contrariamente às esperanças que surgiram depois da eleição de Barack Obama em novembro de 2008, Washington manteve-se estacionado em suas relações com Cuba. Justamente depois de assumir seu cargo de presidente, Obama anunciou – na Cúpula das Américas, celebrada em Trindad e Tobago, abril de 2009 – que daria um novo rumo nas relações com Havana.

Todavia, limitou-se a gestos pouco mais que simbólicos: autorizou que os estadunidenses de origem cubana viajassem à ilha e enviassem quantidades restritas de dinheiro a suas famílias. Depois, em 2011, adotou novas medidas, mas também de pequeno alcance: permitiu que grupos religiosos e estudantes viajassem a Cuba, consentiu que aeroportos estadunidenses recebessem voos da ilha e ampliou o limite de remessas que os cubanos-estadunidenses poderiam transferir a seus parentes. Pouca coisa, diante do formidável bloqueio que separa os dois países.

Entre as divergências, está o caso dos Cinco Cubanos (7), que tem comovido a opinião publica internacional (8). Estes agentes da inteligência de Havana, detidos na Florida pelo FBI em setembro de 1998 quando realizavam missões de prevenção contra o terrorismo anticubano, foram condenados a altas penas de prisão, num julgamento político típico da Guerra Fria (autêntico linchamento jurídico).

Condenação ainda mais injusta porque "Os Cinco" não cometeram nenhum ato de violência, nem procuraram informação sobre a segurança dos Estados Unidos. O único que fizeram, correndo riscos mortais, foi prevenir atentados e salvar vidas humanas. Washington não é coerente quando diz combater o "terrorismo internacional" e segue abrigando, em seu próprio território, grupos terroristas anticubanos (9). Sem ir mais longe, em abril passado, as autoridades da ilha detiveram um novo grupo de quatro indivíduos, vinculados a Luis Posada Carriles (10), vindo mais uma vez da Florida com a intenção de cometer atentados.

Tampouco há coerência quando acusam "Os Cinco" de atividades antiestadunidenses que jamais existiram, enquanto Washington segue empenhado em imiscuir-se nos assuntos internos de Cuba e na fomentação de mudanças do sistema político.

Há meses, voltaram a demonstrar tais intenções, nas recentes revelações sobre o assunto "ZunZuneo" (11), uma falsa rede social que uma agência do Departamento de Estado (12), criou e financiou ocultamente entre 2010 e 2012 com a intenção de provocar na ilha protestos semelhantes ao das "Revoluções Coloridas" do ex-mundo soviético, da Primavera Árabe ou das "Guarimbas" venezuelanas, para exigir depois, a partir da Casa Branca ou do Capitólio, uma mudança política. Tudo isso demonstra que Washington segue tendo sobre Cuba uma atitude retrógrada, tipicamente da Guerra Fria, etapa que terminou a quase um quarto de século.

Semelhante arcaísmo choca com a postura de outras potências. Por exemplo, todos os Estados da América Latina e do Caribe, quaisquer que sejam suas orientações políticas, têm estreitado ultimamente seus laços com Cuba, denunciando o bloqueio.

Pode-se comprovar isto no inicio do ano, na Cúpula da Comunidade dos Estados Latino Americanos e do Caribe (CELAC) reunida precisamente em Havana. Washington sofreu um novo desprezo no há pouco, em Cochabamba (Bolívia), durante a Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), quando os países latino-americanos – numa nova mostra de solidariedade com Havana – não participar da próxima Cúpula das Américas, que terá lugar em 2015 no Panamá, se Cuba não for convidada a participar.

Por sua parte, a União Europeia (UE) decidiu, em fevereiro, abandonar a chamada "posição comum" com relação à ilha, imposta em 1996 por José Maria Aznar, então presidente do Governo da Espanha, para "castigar" Cuba rechaçando todo dialogo com as autoridades da ilha. Porém, o gesto resultou estéril e fracassado.

Bruxelas tem reconhecido e dado inicio agora a uma negociação com Havana para alcançar um acordo de cooperação política e econômica. A UE é o primeiro investidor estrangeiro em Cuba e seu segundo sócio comercial. Com este novo espírito, vários ministros europeus já visitaram a ilha. Entre estes, em abril, Laurent Fabius, – primeiro chanceler francês que realizou uma visita a nação caribenha em mais de trinta anos – declarou que buscava promover as alianças entre as empresas dos dois países, bem como apoiar as companhias francesas que desejassem desenvolver projetos ou se fixar em Cuba (13).

Contrastando com o imobilismo de Washington, muitas chancelarias europeias observam com interesse as mudanças que estão se produzindo em Cuba, impulsionadas sobretudo pelo presidente Raúl Castro, no marco da atualização do modelo econômico e na linha definida em 2011 no VI Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC). Representam transformações muito importantes na economia e na sociedade. Em particular, a recente criação da Zona Especial de Desenvolvimento em torno do porto de Mariel — assim como a aprovação, em março, de uma nova Lei de Investimento Estrangeiro — suscitam um grande interesse internacional.

As autoridades consideram que não existe contradição entre o socialismo e a iniciativa privada (14). E alguns responsáveis estimam que esta última (que incluiria as inversões estrangeiras) poderia abarcar até 40% da economia do país, enquanto o Estado e o setor público conservariam 60%. O objetivo é que a economia cubana seja cada vez mais compatível com a de seus principais sócios na região (Venezuela, Brasil, Argentina, Equador, Bolívia), onde coexistem setor publico e setor privado, Estado e mercado.

Todas estas transformações sublinham, por contraste, o impedimento do governo estadunidense, autobloqueado em uma posição ideológica de outra época. Inclusive, como temos visto, cada dia são mais numerosos aqueles que, em Washington, admitem que essa postura seja equivocada e que, em relação a Cuba, os EUA têm urgência em sair do isolamento internacional. O presidente Obama saberá escutá-los?

Notas:

(1) Hillary Rodham Clinton, Hard Choices, Simon & Schuster, Nueva York, 2014.

(2) Entre los empresarios que figuran: J. Ricky Arriola, presidente del poderoso consorcio Inktel; los magnates del azúcar y del sector inmobiliario Andrés Fanjul y Jorge Pérez; el empresario Carlos Saladrigas, y el petrolero Enrique Sosa, además de otros emprendedores multimillonarios.

(3) Léase El Nuevo Herald, Miami, 20 de mayo de 2014.

(4) Léase Abraham Zembrano, "¿Se acerca el fin del embargo a Cuba?", BBC Mundo, Londres, 20 de febrero de 2014. http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2014/02/140211_cuba_eeuu_embargo_az.shtml

(5) En Miami, principal ciudad de Florida, viven unos 650.000 expatriados cubanos.

(6) El País, Madrid, 17 de junio de 2014. http://internacional.elpais.com/internacional/2014/06/17/actualidad/1403022248_144582.html

(7) Los Cinco son: Antonio Guerrero, Ramón Labañino, Gerardo Hernández, René González y Fernando González. Estos dos últimos han sido liberados y se hallan en Cuba.

(8) En Washington, del 4 al 10 de junio pasado, tuvo lugar el Tercer Encuentro "Cinco días por los Cinco" que reunió a participantes procedentes de decenas de países del mundo, los cuales se manifestaron delante de la Casa Blanca y del Capitolio exigiendo la liberación de "los Cinco". http://www.answercoalition.org/national/news/5-days-forthe-Cuban-5.html

(9) Cuba es uno de los países del mundo que más ha padecido la lacra del terrorismo (3.500 personas asesinadas y más de 2.000 discapacitados de por vida).

(10) Jefe de diversos grupos terroristas anticubanos, Posada Carriles es en particular el responsable del atentado contra el avión de pasajeros de Cubana de Aviación cuya explosión en vuelo provocó, en 1976, 73 muertos. Reside en Florida, donde goza de la protección de las autoridades estadounidenses.

(11) Las revelaciones fueron realizadas por la agencia de prensa AP (Associated Press). http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2014/04/140403_zunzuneo_cuba_eeuu_msd.shtml

(12) La Agencia para el Desarrollo Internacional de Estados Unidos (USAID, por sus siglas en inglés), un organismo que opera bajo la dirección del Departamento de Estado.

(13) Alrededor de sesenta grandes empresas francesas están presentes en Cuba. Entre las principales, destacan el grupo Pernod Ricard, que comercializa el ron Havana Club en el mundo, los grupos Accor, Nouvelles frontières, FRAM voyages en el sector del turismo, Bouygues en obras públicas, Alcatel-Lucent en telecomunicaciones, Total y Alstom en energía, y Air France en transporte, entre otros.

(14) Se estima que ya hay unos 450.000 "cuentapropistas" (trabajadores por cuenta propia, comerciantes y pequeños empresarios) en Cuba.

Ignacio Ramonet é jornalista e sociólogo galego, radicado na França.

Retirado de SOLIDÁRIOS

domingo, 21 de setembro de 2014

Publicações artesanais ampliam e diversificam mercado editorial cubano

Hoje, há uma intensa troca cultural entre os países, facilitada pela integração da América Latina e as diversas feiras de livro no continente
Longe das modernas tecnologias que obrigam a realização de adaptações no mercado editorial, escritores e editores cubanos encontraram na produção “artesanal” de livros uma forma de aumentar e diversificar as publicações. As chamadas editoras riso, que fazem livro de papelão e outros materiais, cobriram todo o país e permitiram a aparição de novos protagonistas no cenário. “Isso dá oportunidade a outros autores de entrarem na publicação. Sempre tem mais gente querendo publicar do que sendo publicado”, afirma a contista, poeta, ensaista e editora Jamila Medina Ríos.
Vanessa Martina Silva/ Opera Mundi

Soleida Ríos e Jamila Medina Ríos, durante conversa com a reportagem de Opera Mundi
O mercado de livros cubano é concorrido, mas, “como para a maioria dos escritores latino-americanos, não é possível viver da literatura em Cuba. Vivemos da literatura no sentido emocional, moral, mas economicamente não”, afirma a poeta Soleida Ríos. Algumas poesias dela você pode ler aqui (em espanhol).
Ambas as escritoras cubanas participam do Salão do Livro de Guarulhos, que vai até domingo (21/09), e aceitaram conversar com Opera Mundi no hotel em que estão hospedadas em São Paulo.
Todo o processo é estimulado pelo governo. “Em Cuba, há editoras em cada uma das províncias. Além das provinciais, temos editoras nacionais e pequenas que pertencem a associações”, observa Jamila. Outro fator é que “em Cuba o livro é subsidiado. Pagam o direito do autor e promovem o livro em feiras que são realizadas em todo o país, o que faz com que as pessoas estejam sempre em contato com os livros” acrescenta.
Neste vídeo, Jamila fala de sua vida e obra (em espanhol): 
https://www.youtube.com/watch?v=8M68aQfy33Y



bloqueio econômico que sofre o país há mais de 50 anos por imposição dos Estados Unidos foi um tema recorrente na conversa com as escritoras. Soleida observou que “se há graves restrições econômicas que afetam o país, isso afeta também a publicação de livros, a vida do ser comum, porque atinge os recursos técnicos para operar em todos os setores”. Para a poeta, “somos uma espécie auto-destrutiva e o bloqueio é uma expressão da tendência autodestrutiva que tem o gênero humano, praticada pelos governos”.
Intercâmbio cultural
A situação econômica e de certo isolamento imposto à ilha comunista se reflete nas possibilidades e oportunidades de intercâmbio cultural com outros países da região. “Para nós, existe o limite de que sempre temos que ser convidadas, não podemos eleger por vontade própria [os países e feiras onde queremos estar] porque a situação econômica em Cuba nos impede de pegar um avião com nosso salário”, afirmou Soleida, cuja obra já foi traduzida para o inglês, francês, italiano e português.
Flickr CC/ Jaume Escofet/

Venda de livros em uma praça de Havana - preço dos livros são subsidiados pelo governo cubano
Apesar disso, elas reforçaram a intensa troca cultural que existe entre os países latino-americanos e ressaltaram que o processo de integração da América Latina permitiu um avanço neste sentido, com as diversas feiras de livro que são realizadas no México, Argentina, Equador, Cuba e no Brasil.
Quanto à disseminação no único país latino-americano que fala português, Soleida fez questão de ressaltar o interesse dos cubanos pela cultura brasileira que, garante, “vai muito além do futebol”. “Em Cuba se publicam autores brasileiros. Publicamos antologias de poetas e também os vencedores do Prêmio Casa das Américas, que é uma premiação chave na região e que, em mais de 50 anos de vida, promoveu vários autores brasileiros e de toda a América. Mas ainda não é o suficiente”, reconhece.
Casa das Américas
Criada há 55 anos pelo governo cubano para ser uma instituição cultural de integração sociocultural da América Latina e do Caribe, a Casa das Américas difunde material artístico e literário, promove shows, concursos, festivais, seminários. Entre essas atividades, destaca-se o Prêmio Casa das Américas.

“Os grandes autores latino-americanos estão lá, registrados em vozes. Me interessa registrar que a Casa é uma instituição muito séria, que sempre teve um bom tino para achar bons escritores”, ressalta Soleida.



Futuro
“Estamos em um momento em que as pessoas já não praticam tanto a palavra escrita, mas isso não significa que vão parar de ler. Pode ser que um dia o livro se torne algo contemplativo. Mas a verdade é que hoje o que vemos é que o livro é, sim, algo importante, porque o contato com o papel te permite prazeres sensoriais que os leitores digitais e tabletes não permitem”. A opinião de Jamila é compartilhada por Soleida.
No vídeo, Soleida fala de seu projeto mais recente: a coleção de sonhos, em fase de publicação (em espanhol): 


“O fato é que estão ressurgindo as publicações cartoneras [livros feitos artesanalmente, com capa de papelão], com o uso de objetos naturais como lãs. Isso para mim diz algo, porque surge justamente quando as transnacionais do livro fazem grandes tiragens. E com isso ressurge o prazer. Fazer um livro é algo grandioso”, complementa Soleida, que participa de diversas iniciativas de promoção e estímulo à leitura no país.

Censura e criação
Em um país questionado internacionalmente pela suposta falta de liberdades individuais, as autoras ressaltam que nunca sofreram censura institucional. “Às vezes a pessoa pode achar que é muito livre. Isso é o que eu busco. A liberdade é interior e isso ninguém te dá. O que busco com minha obra é afiançar a liberdade”, diz Soleida. 
A arte cubana tampouco é somente social. Jamila conta que escreve “sobre coisas que quero fazer e ainda não fiz. E com a escrita resolvo isso. Faço poemas de amor e falo sobre a morte. Este é um tema que me impacta porque me interessa a vida, como me interessam também as viagens, mesmo as pequenas, até a esquina, mas as paisagens, as pessoas que se vê pelo caminho”.

Vanessa Martina Silva | São Paulo - 20/09/2014 - 10h00

Retirado de OPERA MUNDI

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Cuba contra ebola: 165 médicos a caminho de Serra Leoa

Diretora geral da OMS e ministro da saúde de Cuba durante coletiva de imprensa em Genebra

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta sexta-feira (12/09) que o governo cubano enviará 165 profissionais de saúde para lutar contra o ebola na África Ocidental, incluindo médicos, enfermeiras, epidemiologistas e especialistas em controle de infecções.

 “Por sua longa história de solidariedade, Cuba foi um dos países aos quais a OMS e o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, pedimos apoio para enfrentar este surto”, disse a diretora geral da OMS, Margaret Chan, em declarações à agência cubana Prensa Latina.

Leia mais:
Este grupo, que estará concentrado, incluirá também especialistas em terapia intensiva e agentes de mobilização social. "Isto fará diferença em Serra Leoa", sustentou Chan.

"Se vamos à guerra contra o ebola, precisamos de recursos para lutar", disse Chan após o anúncio da colaboração de Cuba, que classificou como o envio “mais importante” de especialistas para a região. Segundo ela, esta contribuição em recursos humanos é "extremamente generosa" da parte do governo cubano e será muito valiosa para conter "o pior surto de ebola vivido até agora".
 A brigada de 165 colaboradores de saúde, formada por 62 médicos e 103 enfermeiras, todos com mais de 15 anos de profissão e experiência em situações de desastres naturais e epidemiológicos. Eles serão enviados a Serra Leoa na primeira semana de outubro e permanecerão ali por seis meses, como informou o ministro da Saúde cubano, Roberto Morales Ojeda.

Combate à epidemia

A epidemia de ebola já provocou mais de 2.400 mortes em países da África Ocidental, 509 delas em Serra Leoa, desde a aparição do vírus no começo do ano, como informou hoje a OMS. Mais de 4.700 pessoas estão infectadas.

A organização estima que ainda faltem 500 médicos e enfermeiros estrangeiros e cerca de mil profissionais dos países afetados para atuar no combate à epidemia. Também são necessários recursos materiais e centros de tratamento nos países atingidos.

A China anunciou hoje que enviará um pacote de ajuda humanitária no valor de US$ 32,5 milhões para os países afetados e organizações internacionais que ajudam no combate ao vírus.

Retirado de SOLIDÁRIOS

Bloqueio dos Estados Unidos: uma guerra financeira contra Cuba

O vice-chanceler cubano, Abelardo Moreno, denunciou que o bloqueio econômico imposto a Cuba pelos Estados unidos constitui uma verdadeira guerra financeira e coloca obstáculos brutais ao desenvolvimento socioeconômico da ilha 

O vice-chanceler cubano Abelardo Moreno 
 Ao apresentar, nesta terça-feira (9), um informe sobre o tema, o vice-chanceler informou que os prejuízos econômicos dessa política estadunidense até março de 2014 cresceram, em moeda corrente, cerca de US$ 116,8 bilhões.

“Isto supõe um montante de aproximadamente US$1,1 trilhão de dólares, se calculado em função dos preços do ouro”, afirmou o funcionário ao apresentar uma prévia do informe que será submetido, em outubro, a aprovação da Assembleia Geral da ONU.

“Não existe um envolvimento mais aterrador e vil, pois não escapa um só âmbito da vida social”, disse Moreno durante apresentação na Escola Especial de Solidariedade com o Panamá, responsável por acolher crianças portadoras de necessidades especiais.

“Apesar do crescente rechaço mundial, o bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba afeta especialmente aos setores de maior impacto social, como é o caso da Saúde, Educação, Alimentação, Esporte e Cultura”, esclareceu.

Moreno ainda explicou que as dificuldades para o acesso a matérias primas, insumos e tecnologias são um obstáculo ao desenvolvimento de 22.872 crianças com necessidades educativas especiais.

Destacou que o setor do Turismo teve perdas equivalentes a US$ 3 milhões e que a perseguição a empresas e entidades financeiras de outros países que negociam com Cuba é cada vez mais crescente e intensa.

De acordo com Moreno, de 130 casos de acusação de caráter extraterritorial registrados nos últimos quatro anos, 81 aconteceram no âmbito das finanças. Ele qualificou este assédio como uma “verdadeira guerra financeira contra Cuba”.

Disse ainda que durante a administração de Barack Obama, as multas impostas a estas entidades aumentaram cerca de US$12 bilhões.

O informe oficial da ilha, que tem por objetivo principal colocar fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba, será apresentado para aprovação durante a 68ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

Em 22 ocasiões este organismo internacional se pronunciou, com imensa maioria, a favor do respeito do Direito Internacional, do cumprimento dos Princípios e Propósitos da Carta das Nações Unidas e do direito do povo cubano a escolher seu destino.

Fonte: Prensa Latina

Retirado de SOLIDÁRIOS

FIESP promove seminário sobre oportunidades de investimentos em Cuba

Seminário: Nova Lei de Investimento Estrangeiro em Cuba: Oportunidades atuais e futuras
Venha conhecer as oportunidades de negócios e investimentos em Cuba, dentro do contexto das novas medidas econômicas tomadas pelo país; bem como conhecer a maior feira de negócios de Cuba, a edição FIHAV 2014.
PROGRAMA
14h00 - Credenciamento
14h30 - Palavras de abertura
15h00 - Nova Lei de Investimento Estrangeiro em Cuba: Oportunidades atuais e futuras
Apresentação da Feira Internacional de Havana – FIHAV 2014
15h40 - Perguntas e respostas
Localização
Av. Paulista 1313 - SP
O evento está sendo organizado pela FIESP, pelo CIESP e pelo Consulado de Cuba em São Paulo
Retirado de FIESP

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Banco Mundial diz que Cuba tem o melhor sistema educativo da América Latina e do Caribe

De acordo com a organização internacional, Cuba é o único país da região que dispõe de um sistema educativo de alta qualidade


O Banco Mundial acaba de publicar um relatório revelador sobre a problemática da educação na América Latina e no Caribe. Intitulado Professores excelentes. Como melhorar a aprendizagem na América Latina e no Caribe, o estudo analisa os sistemas educativos públicos dos países do continente e os principais desafios que enfrentam. 1

Efe

Segundo o Banco Mundial, "nenhum sistema escolar latino-americano, com a possível exceção de Cuba", alcança parâmetros mundiais

Na América Latina, os professores de educação básica (pré-escolar, primária e secundária) constituem um capital humano de 7 milhões de pessoas, ou seja, 4% da população ativa da região, e mais de 20% dos trabalhadores técnicos e profissionais. Seus salários absorvem 4% do PIB do continente e suas condições de trabalho variam de uma região para outra, inclusive dentro das fronteiras nacionais. Os professores, mal remunerados, são, em sua maioria, mulheres — uma média de 75% — e pertencem às classes sociais modestas. Além disso, o corpo docente supera os 40 anos de idade e considera-se que esteja “envelhecido”. 2
O Banco Mundial lembra que todos os governos do planeta escrutinam com atenção “a qualidade e o desempenho dos professores” no momento em que os objetivos dos sistemas educativos se adaptam às novas realidades. Agora, o foco está na aquisição de competências e não apenas no simples acúmulo de conhecimentos.
As conclusões do relatório são implacáveis. O Banco Mundial enfatiza “a baixa qualidade média dos professores da América Latina e do Caribe”, o que constitui o principal obstáculo para o avanço da educação no continente. Os conteúdos acadêmicos são inadequados e as práticas ineficientes. Pouco e mal formados, os professores consagram apenas 65% do tempo de aula à instrução, “o que equivale a perder um dia completo de instrução por semana”. Por outro lado, o material didático disponível continua sendo pouco utilizado, particularmente as novas tecnologias de informação e comunicação. Além disso, os professores não conseguem impor sua autoridade, manter a atenção dos alunos e estimular a participação.
De acordo com a instituição financeira internacional, “nenhum corpo docente da região pode ser considerado de alta qualidade em comparação aos parâmetros mundiais”, com a notável exceção de Cuba. O Banco Mundial aponta que “na atualidade, nenhum sistema escolar latino-americano, com a possível exceção de Cuba, está perto de mostrar os parâmetros elevados, o forte talento académico, as remunerações altas ou, ao menos, adequadas e a elevada autonomia profissional que caracteriza os sistemas educativos mais eficazes do mundo, como os da Finlândia, Singapura, Xangai (China), da República da Coreia, dos Países Baixos e do Canadá”. 4
De fato, apenas Cuba, onde a educação tem sido a principal prioridade desde 1959, dispõe de um sistema educativo eficiente e com professores de alto nível. O país antilhano não tem nada para invejar das nações mais desenvolvidas. A ilha do Caribe é, além disso, a nação do mundo que dedica a parte mais elevada do orçamento nacional (13%) para a educação. 5

Não é a primeira vez que o Banco Mundial elogia o sistema educacional de Cuba. Em um relatório anterior, a organização lembrava a excelência do sistema social da ilha:

“Cuba é internacionalmente reconhecida por seus êxitos nos campos da educação e da saúde, com um serviço social que supera o da maior parte dos países em vias de desenvolvimento e em certos setores se compara ao dos países desenvolvidos. Desde a Revolução Cubana, em 1959, e do subsequente estabelecimento de um governo comunista com partido único, o país criou um sistema de serviços sociais que garante o acesso universal à educação e à saúde, proporcionado pelo Estado. Esse modelo permitiu a Cuba alcançar a alfabetização universal, erradicar certas doenças, [prover] acesso geral à água potável e salubridade pública de base, [atingir] as taxas mais baixas da região de mortalidade infantil e uma das maiores expectativas de vida. Uma revisão dos indicadores sociais de Cuba revela uma melhora quase contínua de 1960 até 1980. Vários indicadores principais, como a expectativa de vida e a taxa de mortalidade infantil continuaram melhorando durante a crise econômica do país nos anos 90 [...]. Atualmente, os serviços sociais de Cuba são parte dos melhores do mundo em desenvolvimento, como documentam numerosas fontes internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, além de outras agências da ONU e o Banco Mundial […]. Cuba supera amplamente a América Latina, o Caribe e outros países de renda média nos indicadores principais: educação, saúde e salubridade pública”. 6

O Banco Mundial lembra que a elaboração de bons sistemas educacionais é vital para o futuro da América Latina e do Caribe. Reforça, também, o exemplo de Cuba, que alcançou a excelência nesse setor e é o único país do continente que dispõe de um corpo docente de alta qualidade. Esses resultados são explicados pela vontade política do governo do país caribenho de colocar a juventude no centro do projeto de sociedade, dedicando os recursos necessários para a aquisição de saberes e competências. Apesar dos recursos limitados de uma nação do Terceiro Mundo e do estado de sítio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de meio século, Cuba, baseando-se no adágio de José Martí, seu apóstolo e herói nacional, “ser culto para ser livre”, demonstra que uma educação de qualidade está ao alcance de todas as nações.

1. Barbara Bruns & Javier Luque, Profesores excelentes. Cómo mejorar el aprendizaje en América Latina y el Caribe, Washington, Banco Mundial, 2014. (site consultado no dia 30 de agosto de 2014).
2. Ibid.
3. Ibid.
4. Ibid.
5. Salim Lamrani, Cuba : les médias face au défi de l’impartialité, Paris, Estrella, 2013, p. 40.
6. Ibid., p. 87-88.
Salim Lamrani | Paris - 03/09/2014 - 13h17
Retirado de Opera Mundi